SÃO PAULO - O consumo de fertilizantes deve atingir recorde neste ano no
Brasil, superando 32 milhões de toneladas, mesmo diante de um cenário
de baixa nos preços internacionais de grãos, que poderia limitar a
demanda pelo insumo da produção agrícola, avaliou a consultoria INTL
FCStone.
Isso, em parte, porque muitos agentes do setor anteciparam compras
de fertilizantes num momento em que a relação entre os preços do insumo
com os produtos agrícolas estava mais favorável aos agricultores, disse
nesta segunda-feira o analista da INTL FCStone, João Santucci.
"O investimento (em fertilizantes) deverá ser maior do que no ano
passado... Pode até ter uma cautela, mas o que se nota é que já existe
uma grande quantidade (de fertilizantes) que foi adquirida
antecipadamente e deve ser entregue ao longo do ano", disse o analista à
Reuters durante evento da consultoria.
No ano passado, as vendas de fertilizantes foram recordes em 31,08
milhões de toneladas, segundo acompanhamento da Associação Nacional para
a Difusão de Adubos (Anda).
O mercado de grãos, sobretudo milho e soja, vive atualmente uma
forte pressão de baixa, com preços internacionais de referência em queda
diante das projeções de grandes safras nos Estados Unidos.
Segundo Santucci, o Paraná (segundo maior produtor de grãos do
país), por exemplo, já havia comprado em abril cerca de 40 por cento de
sua demanda para o ano de 2014, "um volume muito acima da média para
esta época do ano no Estado".
As antecipações de compra, acrescentou, foram iniciadas a partir de
final de novembro, quando os preços estavam "espetaculares do ponto de
vista do produtor", fazendo com que as tradings adquirissem volumes
importantes já para o ano de 2014.
Mas o analista ponderou que os preços dos ingredientes --
nitrogênio, potássio e fósforo (NPK, na sigla em inglês) --, usados na
formulação dos fertilizantes, também estão em baixa.
O cloreto de potássio, por exemplo, estava no final de junho cerca
de 100 dólares mais baixo do que no mesmo mês do ano passado,
considerando o valor para entrega no porto de Paranaguá (PR).
O Brasil importou cerca de 70 por cento de sua demanda por
fertilizantes em 2013. E, no caso do potássio, as importações
correspondem a mais de 90 por cento do volume total consumido em uma
safra.