A tonelada do produto foi comercializada no Estado a R$ 251,5 em junho, contra R$ 515,4 em janeiro.
A maior disponibilidade de mandioca em todas as regiões do País na
safra 2013/14, principalmente no Nordeste, levou a uma forte queda dos
preços durante o primeiro semestre do ano nas diferentes regiões
produtoras, incluindo o Paraná. O movimento significativo na produção
fez com que a oferta do produto para as fecularias e farinheiras do
Centro-Sul tivesse boa recuperação no período.
Assim, os valores da matéria-prima retraíram expressivamente, após
atingirem, em dezembro de 2013, o recorde da série histórica do Centro
de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP,
iniciada em 2002: R$ 562 a tonelada. No Paraná, o movimento é bem
parecido com outras regiões, como no Nordeste e outros estados do
Centro-Sul. De acordo com Departamento de Economia Rural (Deral), da
Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), a tonelada de
mandioca era comercializada em janeiro a R$ 515,4, contra R$ 251,5 no
último mês, uma retração de 51%.
No Estado, a área sofreu incremento de 13% em comparação à safra
passada, saltando de 156,7 mil hectares para 177,1 mil. Em relação à
produção, a previsão é de aumento de 8%, atingindo 4 milhões de
toneladas, contra 3,77 milhões do período anterior. Até o momento, a
colheita é de 47% do volume total (19% acima do registrado em igual
período de 2013). O Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do
País, atrás apenas do Pará.
No País, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), devem ser produzidas neste ano 23,3 milhões de
toneladas, avanço de 10% em relação a 2013. O crescimento mais
expressivo, de 25,3%, deve ocorrer no próprio Nordeste.
De acordo com o técnico do Deral, Metódio Groxko, os quatro últimos
ano foram de preços excelentes, atingido o pico de R$ 550 em dezembro
último. Os patamares estavam tão altos, principalmente, devido à seca do
Nordeste, o que fez com que a indústria farinheira de lá viesse em peso
buscar o produto no Estado. "A demanda era enorme, devido à quebra de
safra, em estados como Bahia e Maranhão. Neste período, farinheiras que
estavam inativas no Estado voltaram a trabalhar à todo o vapor",
relembra ele.
Com a chuva voltando a dar as caras nos estados nordestinos, a
produção agora se normaliza e a procura é menor, diminuindo os preços
substancialmente. "Aliado a este cenário, temos que lembrar que a
produção cresceu em todos os estados brasileiros. Os valores não estão
ruins no momento, mas começam a se aproximar do custo de produção, que
gira em torno de R$ 230", complementa o técnico do Deral,
No relatório do Cepea, os pesquisadores destacam também que "apesar
dos valores recuando e dos maiores custos de produção da safra 2014/15,
por conta do encarecimento dos arrendamentos e da mão de obra, ainda há
otimismo em relação à cultura."
Fécula
A indústria de fécula nacional processou no primeiro semestre deste
ano 14,5% a mais se comparado ao mesmo período do ano passado, superando
1,15 milhão de toneladas de raízes – o maior volume para um semestre
desde 2011. Em relação ao segundo semestre do ano passado, a elevação
foi de 22%. Por outro lado, a demanda industrial recuou em boa parte do
semestre diante da falta de interesse pela formação de estoques.