Rondônia é um dos principais produtores de milho da região Norte, sendo
os municípios de Vilhena, Corumbiara, Chupinguaia e Cerejeiras – região
do Cone sul do estado – os maiores produtores. O destaque é para o milho
produzido em segunda safra, ou safrinha (semeado de janeiro a março),
que vem ganhando ainda mais importância a cada ano. De acordo com o
levantamento de junho de 2014 da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), a produção da segunda safra 2013/2014 de milho em Rondônia deve
ser em torno de 332 mil toneladas, quase o triplo do milho de primeira
safra (124 mil toneladas).
Neste contexto, o milho foi o destaque do Dia de Campo Safrinha,
realizado pela Embrapa em Vilhena (RO), no dia 11 de junho, chamando a
atenção dos quase 150 produtores, técnicos, empresários do agronegócio e
estudantes de diversas cidades de Rondônia e Mato Grosso que
compareceram ao evento. Os participantes também puderam conhecer
cultivares, práticas culturais, manejo e a comercialização também do
sorgo, girassol e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e se
preparar para o próximo plantio da safrinha.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia, Vicente Godinho, o
milho safrinha é hoje economicamente mais importante para Rondônia. A
safra de verão possui caráter social no estado, uma vez que é conduzida
praticamente por agricultores familiares e caracteriza-se pela pouca
utilização de tecnologia e uma produção basicamente de subsistência. Já a
safrinha de milho é caracterizada pelo uso de alta tecnologia e é
realizada por grandes produtores. O grão produzido é utilizado tanto
internamente em Rondônia, como também exportado para demais estados do
Brasil e outros países. “Em Vilhena, maior produtor de soja milho do
estado, aproximadamente 98% da produção de milho é de segunda safra,
cultivado em sucessão à soja e, para este ano, a expectativa é de que
tenhamos um recorde de produção de milho safrinha”, destaca Godinho.
O dia de campo foi, para o produtor Airton Camilo, de Cerejeiras (RO),
uma forma de buscar inovações e tecnologias para melhorar sua produção.
“Eu procuro vir todos os anos para conhecer novos materiais, comparar
com o que temos em Cerejeiras e fazer novos testes. Eu planto soja e
este ano utilizei 600 hectares para o milho safrinha. Minha expectativa é
boa para o milho, investi mais, a chuva ajudou, então eu acho que vou
colher bem mais que no ano passado”, afirma Airton, que também se
interessou pelo sorgo, um cereal que tem maior tolerância à seca que o
milho e é mais barato. “O sorgo é uma alternativa para substituir o
milho na produção de ração. Com valor nutricional atingindo 95% do valor
proporcionado pelo milho, a saca do grão de sorgo chega a ser de 15% a
25% mais barata”, explica o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Flávio
Tardin.