Em época de contenção de gastos domésticos, o leite segue tendência de
baixa e se põe à inflação de 8% prevista para este ano. Mesmo com
custos crescendo, a pecuária recebe 16% a menos do que um ano atrás, o
que promete influenciar os preços também nos supermercados.
Um
quadro que permite ao consumidor rejeitar qualquer reajuste e buscar
leite e derivados mais baratos, fazendo valer a livre concorrência no
comércio de alimentos. A tendência é de promoções, incluindo o balcão de
iogurte e o de queijo.
Os produtores estão recebendo perto de 85
centavos por litro de leite no Paraná. Em maio do ano passado, a média
era de R$ 1 por litro. Apesar desse tombo de 16%, nos supermercados, os
preços do leite longa vida e do queijo frescal, por exemplo, caíram
apenas 3% no mesmo período. A pesquisa é do Departamento de Economia
Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento
(Seab).
A cotação limitada reflete alta na produção, aponta Maria
Silvia Cavichia Digiovani, agrônoma especialista no assunto que
monitora o setor pela Federação da Agricultura do Paraná, a Faep. Desde
2011, nenhum mês teve cotação média abaixo de 90 centavos por litro no
Paraná.
82% de aumento
na produção de leite do Paraná
foram registrados na última década pelo IBGE. O estado produz cerca de 2
bilhões de litros ao ano. Em âmbito nacional, o incremento no período
foi de 46%. No último ano, o país teria ultrapassado a marca de 35
bilhões de litros.
Recuperação
A pecuária espera abrir
mercado no exterior para poder continuar aumentando a produção. A
expectativa é que o Plano Nacional de Exportações, a ser lançado em
junho, trace estratégia para ampliação dos embarques, que hoje
correspondem a cerca de 1% da produção.
O Brasil tenta fazer as
exportações engrenarem há mais de dez anos. Agora, com o aumento da
produção no Sul, em ritmo acima da média nacional, a região faz frente a
esse projeto. Embora o Rio Grande do Sul enfrente perda de confiança
devido aos flagrantes de adulteração no leite registrados nos últimos
dois anos, os estados da região planejam aproveitar oportunidades
abertas pela demanda internacional.
A ampliação das exportações
se tornou uma necessidade para a pecuária, conforme a ministra da
Agricultura, Kátia Abreu. Ela considera que, enquanto a produção cresce
5% ao ano, o consumo avança apenas 3%. A expectativa é que o programa de
exportação inverta essa relação no longo prazo.