Plantio se aproxima de 20% no Paraná e dá primeiros passos no Rio Grande
do Sul, com potencial para romper a barreira de 7 milhões de toneladas.
José Rocher
Produção maior e mercado mais sustentável. O
plantio de trigo começa a engrenar em meio a uma série de alterações
que prometem, finalmente, estimular o setor a partir de um consumo
crescente de trigo nacional. No campo, o cereal tem nova chance de
atingir volume recorde. Na comercialização, o fluxo do Sul para o
Nordeste testa seu potencial – e pode passar de 1 milhão de toneladas.
Um
levantamento feito pelo Agronegócio Gazeta do Povo, com as projeções
regionais, mostra que o país tem a chance de produzir recorde de mais de
7,5 milhões de toneladas em 2015. Apostas de peso estão ocorrendo no
Paraná e Rio Grande do Sul, os dois principais produtores. A principal
variável é o clima.
Em ano de El Niño, há risco de chuva em
excesso na colheita, como em 2014, quando houve tombo de mais de 1
milhão de toneladas na safra gaúcha.Por outro lado, se não forem
concentradas, as chuvas prometem inclusive elevar a produção.
Com
umidade garantida, o Paraná espera 3 mil quilos e o Rio Grande do Sul
pode atingir média de 2,9 mil quilos de trigo por hectare, mostram os
números do setor privado.
As cooperativas gaúchas apostam no
plantio de 1 milhão de hectares no estado, enquanto as paranaenses
confiam em 1,36 milhão, apontam as entidades que representam o setor:
Fecoagro e Ocepar, respectivamente. O plantio se aproxima de 20% nas
lavouras do Paraná e acaba de começar no Rio Grande do Sul.
Com
essas áreas e esses índices de produtividade, os dois estados,
normalmente responsáveis por 90% da safra, devem colher 7 milhões de
toneladas. Como as outras regiões devem ser menos beneficiadas pela
umidade do El Niño que o Sul, a estimativa nacional do setor privado é
de 7,5 milhões de toneladas.
Instituições públicas como a Emater
gaúcha e a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) preparam suas
primeiras projeções. Nos bastidores, os técnicos revelam que vão
derrubar as previsões iniciais de que haveria redução de 20% no plantio.
Mesmo
com as notícias de plantio reforçado, os preços ao produtor se mantêm
acima dos custos neste momento. O mercado interno dispõe de menos cereal
importado, apontam os analistas.
O reajuste de 4,5% no preço
mínimo, anunciado para julho, promete reduzir prejuízos em caso a
sobreoferta, acrescentam. A saca de 60 quilos de trigo tipo 1 deve
render R$ 34,95 na Região Sul em 2015/16 com apoio oficial – caso sejam
acionados programas como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).
Mas,
no Paraná, a previsão é que o preço fique acima disso na colheita, em
cerca de R$ 35 por saca.Se esse patamar for atingido, considerando custo
variável de R$ 30,9 por saca, a lucratividade do trigo será de 14%,
aponta o analista da consultoria Trigo & Farinhas Luiz Carlos
Pacheco.
“Até agosto, os preços internos vão seguir a cotação do
trigo importado. Depois, deverão sofrem pressão da colheita, como
normalmente ocorre. O melhor período para venda será entre dezembro de
2015 e julho de 2016, porque tudo indica que haverá estoques apertados
no mundo”, detalha.
O produtor gaúcho – que puxava o recuo
nacional, ainda frustrado com a quebra de 2014 – recupera parte de seu
ânimo às vésperas do plantio, afirma o presidente da Fecoagro-RS, Paulo
Pires. O aumento de até 30% nos custos vem sendo rebatido pelas
perspectivas de preços rentáveis, considera.
Quem iria plantar
20% menos agora deve recuar 15%, sugere. “Esperávamos reajuste maior no
preço mínimo, de 19% em dois anos [só 4,5% estão garantidos em 2015].
Mesmo assim, o Rio Grande do Sul tem possibilidade de plantar 1 milhão
de hectares”, confirma.