O engenheiro agrônomo Carlos R. Dellavalle Filho aponta que a
perspectiva atual é de uma nova redução na área de trigo no Rio Grande
do Sul. “Se esse cenário de preços e câmbio continuar assim, tudo indica
uma diminuição. É o que vem sinalizando boa parte dos produtores do
cereal na região de Lagoa Vermelha”, afirma.
De acordo com o
especialista, essa projeção é explicada pela “alta no dólar, que
diretamente encarece grande parte dos insumos agropecuários
(especialmente os fertilizantes e os agroquímicos), frente aos atuais
preços do cereal – que são considerados baixos”.
“Além dos riscos
que a cultura apresenta se comparada com outras: geada, chuvas em
excesso, preços, a incerteza quanto à comercialização do trigo,
armazenamento, diminuição na produtividade da cultura de verão, a soja,
as chamadas restevas (que em nossa região sofrem mais com a pressão das
doenças no final do ciclo e são mais tardias, portanto as últimas áreas a
serem colhidas). Tudo isso vem a somar na hora da tomada de decisão do
produtor”, explica o diretor da Deagro Produtos Agrícolas Ltda.
Dellavalle
Filho aponta que a cada ano os produtores da região de Lagoa Vermelha
“estão plantando mais área de cobertura com aveia preta, azevém ou nabo
do que o cereal. Esse cenário de redução de área preocupa, já que somos
dependentes das importações de trigo, em sua maioria da Argentina”.
“Com
esse atual câmbio como ficará? Será que teremos mais aumentos no preço
do pão, e derivados da farinha? Será que jamais deixaremos de ser
dependentes da metade ou mais do trigo que necessitamos? Vamos aguardar a
proximidade do plantio, porém, já estamos em Abril e cada vez mais se
ouve em redução, ou até mesmo o não plantio dessa importante cultura de
inverno”, questiona.