NOVA YORK (Reuters) - Más notícias para aqueles que apostam em um alta
nos preços do açúcar: o mergulho do real reduziu em até 6 centavos por
libra-peso o custo de produção para usineiros no Brasil, aumentando a
pressão sobre os produtores rivais e potencialmente atrasando uma
recuperação dos preços globais.
Nos últimos meses, o chamado
"break-even" caiu para 11 centavos a 13 centavos de dólar por libra, em
comparação com as estimativas anteriores de 17 centavos a 18 centavos de
dólar, segundo operadores e analistas.
Essa queda rápida também tem amenizado problemas de margens diante dos preços baixos do produto.
Ela
também representa uma nova realidade no mercado de açúcar, com a moeda
do Brasil pairando perto de seu nível mais fraco em relação ao dólar
desde 2003.
O açúcar bruto na ICE Futures rompeu o nível de 12
centavos por libra-peso, pela primeira vez em seis anos, na
segunda-feira, e registrou uma nova mínima do período de 11,91 centavos
de dólar nesta terça-feira.
A commodity já caiu mais de 14 por cento em março, e o mercado está no caminho de fechar seu pior mês em quase três anos.
Ainda
assim os preços tendem a ficar baixos por mais algum tempo até que os
agricultores mudem para outras culturas e usineiros limitem a moagem no
Brasil.
Tem havido uma crescente "estreita correlação" com o
real, disse Michael McDougall, diretor sênior da mesa do Brasil na
Societe Generale, em Nova York.
Ele fixou o novo nível de
equilíbrio em 12,5 centavos de dólar por libra para retirada na usina,
com mais 2 centavos necessários para levar o açúcar das usinas do
interior aos portos.
Os usineiros no Brasil podem processar cana
para produzir etanol para o mercado interno de combustíveis, com preço
em reais, ou açúcar para exportação, cotado em dólares.
As usinas
provavelmente vão vender mais açúcar do que o esperado anteriormente
este ano para colher retornos denominados em dólar.
Isso coloca
mais pressão sobre os produtores de açúcar em outros lugares,
especialmente em países como Índia e Tailândia, onde as moedas nacionais
estão menos desvalorizadas frente o dólar.
Os custos médios variam de forma significativa de usina para usina, e as despesas são maiores para aqueles com dívida em dólar.
"(O real) pode ir mais para baixo? Não há nenhuma razão agora que indique que ele não possa", disse um operador dos EUA.