“A crise hídrica não é, com certeza, resultado do plantio de eucalipto”,
afirma Hilton Thadeu Zarate Couto, professor do Departamento de
Ciências Florestais, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
(USP/ESALQ). “Em seu ciclo, ele faz com que a água vá para a atmosfera
e, com as chuvas, para os rios, abastecendo os mananciais”, explica o
especialista.
Membro da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), Couto
estava presente na reunião do órgão realizada no último dia 5 de março,
que foi invadida por aproximadamente 200 pessoas protestando contra o
cultivo de eucaliptos transgênicos no Brasil. No mesmo dia, cerca de mil
mulheres militantes do MST invadiram um centro de pesquisa da empresa
Futuragene, em Itapetininga (SP), destruindo um importante banco
genético – fruto do trabalho de nove anos de pesquisa e investimento.
No encontro da CTNBio justamente se discutia-se a liberação do eucalipto
transgênico desenvolvido pela Futuragene, processo do qual Hilton
Thadeu é relator. “A empresa terá que fornecer informações do que está
acontecendo com esse material e onde ele está sendo plantado, até a
liberação total. O material e o ambiente de plantio serão também
monitorados por cerca de cinco anos e, durante esse período, a sugestão
da CTNBio é que não se plante mais do que 2 ou 3% da área de efetivo
plantio da empresa para termos a certeza de que ele não trará nenhum
problema ao ambiente”, explica.