Produtores da Zona da Mata de Minas Gerais que investiram no plantio
direto de milho, para produção de silagem, estão garantindo a
alimentação para o gado mesmo neste período de estiagem prolongada. A
silagem é uma forragem verde – capim, milho, sorgo, etc – que é cortada,
compactada, vedada e armazenada em silos para fermentação. Quando bem
feita, o valor nutritivo da silagem é semelhante ao da forragem verde.
Na época de seca, ela pode substituir o pasto e, por isto, é conhecida
como suplementação volumosa.
Já o plantio direto é um sistema de
manejo do solo, no qual a palha de culturas anteriores é deixada na
superfície do solo. O revolvimento do solo (aração e gradagem) não é
realizado para o cultivo seguinte. Em alguns municípios da região, o
plantio direto do milho para silagem foi feito junto com o capim
braquiária (integração lavoura-pecuária). Planta-se numa mesma área, em
consórcio, o milho com o capim.
“Esta integração da lavoura com a
pecuária é uma excelente alternativa para o produtor. O solo pode ser
explorado economicamente durante quase todo o ano e possibilita o
aumento da disponibilidade de grãos, silagem e pasto. Ela também, aliada
ao plantio direto, reduz os custos de adubação e preparo de solo”,
explica o coordenador de Bovinocultura da Emater-MG, José Alberto de
Ávila Pires.
Unidade demonstrativa
No município de
Piranga, foi criada uma unidade demonstrativa pela Emater-MG com o
plantio direto do milho para silagem, integrado com pastagem, numa área
de quatro hectares. “O milho foi plantado sobre palhada de capim
braquiária por dois anos consecutivos”, explica o técnico da Emater-MG
Ricardo Passarinho. Segundo ele, o rebanho bovino usou a área como pasto
até o início de setembro de 2014, quando os animais foram retirados
para a rebrota do capim e formação da palhada para o plantio direto do
milho.
No final do outubro, foi realizada a aplicação de
herbicida dessecante. A palha que se forma, serve de proteção para o
solo e também como adubação natural. O plantio direto do milho foi feito
cerca de uma semana depois. Os processos seguintes foram duas adubações
de cobertura, aplicação de herbicida e pulverização para o controle de
pragas. O corte da lavoura de milho e a ensilagem foram realizadas no
início do mês de fevereiro.
“A lavoura apresentou excelente
desenvolvimento vegetativo, mesmo durante o período de estiagem em
janeiro, quando se recuperou rapidamente”, comenta o técnico da
Emater-MG. A empresa está promovendo diversos dias de campo para mostrar
aos produtores da região os sistemas de plantio direto e ILP para a
produção de silagem. Três eventos demonstrativos já foram realizados
este ano na região. E, pelo menos mais dois, devem ser programados para
as próximas semanas.
Etapas da produção de silagem
Junho e Julho – Análise de solo do pasto e aplicação de fertilizante
Setembro – Retirada dos animais do pasto para a rebrota do capim e formação da palhada
Outubro – Aplicação de herbicida dessecante
Novembro – Plantio direto do milho e duas adubações de cobertura
Dezembro – Pulverização para controle de pragas
Fevereiro – Colheita e ensilagem