Os preços do etanol registraram em agosto a primeira alta mensal da safra 2026/27 no estado de São Paulo. O avanço das cotações ocorreu em um cenário marcado pelo aumento da demanda, pela maior movimentação no mercado spot e por fatores relacionados à oferta de cana-de-açúcar e à valorização do açúcar no mercado internacional.
Dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que tanto o etanol hidratado quanto o etanol anidro apresentaram valorização média ao longo de agosto. O movimento representa uma mudança importante no comportamento do mercado durante a atual temporada e reforça a atenção de produtores, usinas, distribuidoras e consumidores para os próximos meses da safra.
A combinação entre expectativas climáticas para o Centro-Sul do Brasil, maior procura pelo biocombustível e um cenário externo favorável ao açúcar contribuiu para fortalecer os preços negociados pelas unidades produtoras paulistas.
Demanda impulsiona mercado de etanol em São PauloUm dos principais fatores responsáveis pela alta dos preços do etanol em agosto foi o aumento da demanda. Com o retorno das aulas e o crescimento da circulação de veículos, o consumo de combustíveis ganhou força, levando mais compradores ao mercado spot.
Esse aumento na movimentação contribuiu para ampliar as negociações entre distribuidoras e usinas. Segundo o levantamento do Cepea, as empresas responsáveis pela distribuição continuaram buscando novos volumes de produto para recompor seus estoques.
Com maior procura e disponibilidade limitada para negociações imediatas, as unidades produtoras passaram a ter maior poder nas negociações. Em muitos casos, as distribuidoras precisaram aceitar os valores ofertados pelas usinas para garantir o abastecimento e manter seus estoques em níveis adequados.
O resultado foi um mercado mais aquecido durante agosto, especialmente para o etanol hidratado.
O volume negociado pelas usinas paulistas foi o maior desde janeiro de 2025, um dado que demonstra a intensidade da movimentação registrada no mercado durante o mês.
A recuperação da demanda é vista como um fator importante para o setor sucroenergético, principalmente em um momento em que as decisões das usinas entre a produção de açúcar e etanol dependem diretamente da rentabilidade de cada produto.
Etanol hidratado mantém competitividade nos postosOutro fator que ajudou a sustentar a procura pelo biocombustível foi a competitividade do etanol hidratado no varejo.
A relação de preços entre o etanol e a gasolina continua permitindo que muitos consumidores optem pelo combustível renovável, especialmente em regiões onde o biocombustível apresenta vantagem econômica.
A competitividade do etanol hidratado é um dos principais elementos que influenciam o consumo interno. Quando o preço nas bombas se torna atrativo, os proprietários de veículos flex podem escolher o etanol como alternativa à gasolina.
Essa dinâmica tem impacto direto sobre toda a cadeia produtiva.
Maior consumo nos postos significa aumento dos pedidos realizados pelas distribuidoras, o que, consequentemente, amplia a demanda junto às usinas produtoras. Dessa forma, a competitividade observada no varejo ajudou a movimentar o mercado spot e contribuiu para a valorização das cotações em São Paulo.
O etanol continua sendo um dos principais produtos da cadeia da cana-de-açúcar brasileira e possui papel estratégico na matriz energética nacional. Além de representar uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis, o biocombustível gera demanda para uma extensa cadeia que envolve produtores rurais, fornecedores de cana, usinas, transportadoras e distribuidores.
Previsão de chuvas preocupa usinas do Centro-SulAs condições climáticas também estiveram entre os fatores acompanhados pelo mercado durante agosto.
A previsão de chuvas para setembro na região Centro-Sul do Brasil aumentou a atenção das usinas e dos participantes da cadeia sucroenergética. Dependendo da intensidade e da frequência das precipitações, as chuvas podem provocar interrupções ou paralisações temporárias nas atividades de colheita e processamento da cana-de-açúcar.
Durante o período de safra, a regularidade das operações é fundamental para garantir o fluxo de matéria-prima até as unidades industriais.
Chuvas persistentes podem dificultar a colheita, prejudicar o transporte da cana e reduzir temporariamente o ritmo de moagem. Quando há risco de interrupções industriais, o mercado passa a considerar uma possível redução na disponibilidade imediata de produtos derivados da cana, incluindo o etanol.
Essa expectativa relacionada à oferta contribuiu para sustentar os preços ao longo de agosto.
O clima é um dos principais fatores que influenciam o desempenho do agronegócio brasileiro, e no setor sucroenergético não é diferente. As condições meteorológicas afetam diretamente a produtividade dos canaviais, o calendário de colheita e o funcionamento das usinas.
Por isso, a previsão para setembro continuará sendo acompanhada de perto pelo mercado.
Alta do açúcar no exterior reforça valorizaçãoAlém da demanda interna e das preocupações climáticas, o mercado internacional também teve influência sobre o comportamento dos preços.
A valorização do açúcar no mercado externo contribuiu para fortalecer o cenário positivo observado no setor sucroenergético. Segundo informações divulgadas pelo Cepea, o movimento ocorreu em meio a preocupações relacionadas a uma possível menor disponibilidade de açúcar em países produtores.
Quando os preços internacionais do açúcar avançam, as usinas brasileiras passam a avaliar com ainda mais atenção o chamado mix de produção, ou seja, a divisão da cana-de-açúcar entre a fabricação de açúcar e etanol.
As unidades produtoras possuem certa flexibilidade para direcionar parte da matéria-prima conforme as condições de mercado e a rentabilidade de cada produto.
Um açúcar mais valorizado pode aumentar o interesse das usinas pela produção destinada ao mercado açucareiro. Ao mesmo tempo, essa dinâmica pode limitar a disponibilidade relativa de cana para fabricação de etanol, dependendo das estratégias adotadas por cada unidade.
Esse cenário ajuda a explicar por que os mercados de açúcar e etanol estão profundamente conectados.
A valorização do açúcar no exterior não influencia apenas as exportações brasileiras. Ela também pode alterar decisões industriais dentro do país e, consequentemente, afetar a oferta de etanol disponível no mercado doméstico.
Primeira valorização mensal da safra 2026/27A alta registrada em agosto ganha importância por representar a primeira valorização mensal da safra 2026/27 para os dois tipos de etanol acompanhados pelo Cepea.
Tanto o etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível pelos veículos flex, quanto o etanol anidro, misturado à gasolina, apresentaram avanço médio nas cotações.
O comportamento do mercado demonstra uma combinação de fatores que atuaram simultaneamente durante o mês.
De um lado, a demanda cresceu com o aumento da circulação de veículos e a necessidade das distribuidoras de recompor estoques. De outro, as expectativas de chuvas no Centro-Sul levantaram preocupações sobre possíveis impactos no ritmo das atividades industriais.
Somado a isso, o avanço dos preços do açúcar no mercado internacional ajudou a fortalecer o ambiente de valorização para os produtos da cadeia sucroenergética.
Para os produtores e usinas, o cenário representa um momento de maior atenção às oportunidades de comercialização. Para as distribuidoras, o desafio passa a ser garantir o abastecimento diante de um mercado mais disputado.
Mercado sucroenergético entra em período decisivoOs próximos meses serão importantes para definir o comportamento dos preços do etanol durante a safra 2026/27.
A evolução das condições climáticas no Centro-Sul, o ritmo da moagem da cana-de-açúcar, o comportamento do açúcar no mercado internacional e a competitividade do etanol frente à gasolina serão alguns dos principais fatores observados pelo setor.
A demanda interna também continuará exercendo papel fundamental.
Caso o etanol hidratado mantenha uma relação de preços favorável nos postos de combustíveis, a tendência é que os veículos flex continuem sustentando uma procura significativa pelo biocombustível.
Ao mesmo tempo, as estratégias adotadas pelas usinas em relação à produção de açúcar e etanol poderão determinar o volume disponível para comercialização no mercado doméstico.
A primeira alta mensal da safra 2026/27 mostra que o mercado paulista de etanol entrou em um novo momento. Depois de um período de pressão sobre as cotações, agosto trouxe recuperação nos preços e aumento expressivo nas negociações.
Com as distribuidoras buscando recompor estoques, consumidores encontrando competitividade no etanol hidratado e as usinas negociando maiores volumes, o setor sucroenergético inicia setembro atento aos próximos movimentos do mercado.
O desempenho do clima e a evolução da safra serão decisivos para indicar se a valorização registrada em agosto será apenas um movimento pontual ou o início de uma nova trajetória para os preços do etanol em São Paulo e no restante do Centro-Sul brasileiro.