Exportações de mel brasileiro somam US$ 42 milhões entre janeiro e maio, enquanto Canadá e Alemanha aumentam as compras e reforçam a diversificação dos mercados internacionais.
O mercado internacional continua demonstrando interesse pelo mel brasileiro, mesmo em um cenário de redução no volume exportado. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil embarcou 12.022 toneladas do produto, movimentando US$ 42,09 milhões, segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Embora os números representem uma retração em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 15.217 toneladas que renderam US$ 48,67 milhões, o setor comemora um indicador importante: a valorização do produto brasileiro no mercado externo. O preço médio pago pelo mel nacional aumentou quase 10%, refletindo o reconhecimento da qualidade da produção brasileira e ajudando a reduzir os impactos provocados pela queda nas vendas.
O desempenho reforça a relevância da apicultura para o agronegócio brasileiro, atividade que vem conquistando novos compradores e ampliando sua presença em mercados estratégicos.
Preço do mel brasileiro cresce mesmo com redução das exportaçõesOs números mostram que o volume exportado caiu 21% na comparação anual, enquanto a receita cambial registrou redução de 13,5%. Apesar disso, a diferença entre esses dois indicadores revela um fator positivo para o setor.
O valor médio de exportação passou de US$ 3.198,45 por tonelada em 2025 para US$ 3.501,04 por tonelada em 2026, uma valorização de aproximadamente 9,5%.
Na prática, isso significa que os compradores internacionais aceitaram pagar mais pelo mel produzido no Brasil, reflexo da reputação conquistada ao longo dos últimos anos em aspectos como qualidade, rastreabilidade e características naturais do produto.
Especialistas avaliam que esse movimento ajuda a compensar parcialmente a redução da demanda observada em alguns mercados tradicionais, principalmente nos Estados Unidos.
Minas Gerais mantém liderança nas exportaçõesEntre os estados brasileiros, Minas Gerais segue ocupando a primeira posição no ranking nacional de exportações de mel.
Nos cinco primeiros meses do ano, o estado embarcou 2.643 toneladas, gerando receita de aproximadamente US$ 9,4 milhões. Apesar da liderança, Minas apresentou desempenho inferior ao registrado em 2025, acompanhando a tendência nacional de retração nas vendas externas.
Na sequência aparece Santa Catarina, que protagonizou um dos melhores desempenhos do período.
O estado exportou 2.412 toneladas de mel, movimentando cerca de US$ 8,5 milhões, resultado impulsionado por um crescimento expressivo de 63,4% no volume embarcado.
Esse avanço permitiu que Santa Catarina ultrapassasse outros importantes produtores e assumisse a segunda colocação entre os maiores exportadores brasileiros.
Paraná conquista a terceira posição nacionalO Paraná também permaneceu entre os principais protagonistas da apicultura nacional.
O estado exportou 2.076 toneladas, alcançando faturamento de US$ 7,18 milhões.
Mesmo registrando aumento de 6,4% no preço médio recebido pelo produto, o Paraná sofreu retração de 25,6% no volume exportado e queda de 20,8% na receita cambial em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, os resultados mantêm o estado entre os três maiores exportadores do país, demonstrando a força da cadeia produtiva paranaense.
Logo atrás aparecem Piauí, que apresentou crescimento expressivo de 65,2% nas exportações e faturou aproximadamente US$ 3,6 milhões, além de São Paulo, que completa o grupo dos cinco principais estados exportadores de mel do Brasil.
Estados Unidos seguem como principal compradorMesmo reduzindo significativamente suas compras, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do mel brasileiro.
Entre janeiro e maio, os norte-americanos adquiriram 7.650 toneladas, volume equivalente a 63,6% de todo o mel exportado pelo Brasil no período.
As vendas geraram receita de US$ 26,68 milhões.
Na comparação com 2025, porém, houve redução de 39,2% no volume embarcado para o mercado norte-americano, enquanto o faturamento caiu 33,5%.
Apesar da retração, o preço médio pago pelos importadores dos Estados Unidos aumentou cerca de 9,4%, passando de US$ 3.188,76 para US$ 3.487,80 por tonelada.
Somente em maio, os embarques destinados ao país totalizaram 2.703 toneladas, movimentando aproximadamente US$ 9,13 milhões.
Embora os números permaneçam elevados, ficaram abaixo dos registrados no mesmo mês do ano passado.
Protecionismo comercial afetou as vendasSegundo o boletim divulgado pelo Deral, parte da redução nas exportações está relacionada às medidas de proteção comercial adotadas pelos Estados Unidos nos últimos meses.
As restrições elevaram os custos de importação para diversos produtos brasileiros e afetaram diretamente a competitividade do mel nacional.
Entretanto, uma importante decisão judicial trouxe novo fôlego ao setor.
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana derrubou a tarifa adicional de 50% que havia sido aplicada sobre produtos brasileiros.
Com isso, o mel voltou a ser enquadrado na tarifa geral de importação, situada entre 10% e 15%, o que melhora significativamente as condições comerciais para os exportadores brasileiros.
A expectativa é que essa mudança contribua para uma recuperação gradual dos embarques destinados ao principal parceiro comercial do setor ao longo do segundo semestre.
Canadá e Alemanha ampliam compras e fortalecem diversificaçãoEnquanto os Estados Unidos reduziram as importações, outros mercados passaram a ganhar protagonismo.
Entre eles, destacam-se Canadá e Alemanha, que registraram crescimento expressivo tanto no volume adquirido quanto na receita obtida pelos exportadores brasileiros.
Os dois países ampliaram as compras durante maio, reforçando uma tendência observada desde o início do ano.
Além deles, Reino Unido, Polônia, Filipinas, Países Baixos e Áustria também aparecem entre os principais destinos do mel brasileiro.
A expansão dessas vendas demonstra que o Brasil vem conseguindo reduzir, ainda que gradualmente, sua dependência de um único comprador internacional.
Essa diversificação é considerada estratégica para aumentar a segurança das exportações e diminuir os impactos provocados por eventuais barreiras comerciais impostas por mercados específicos.
União Europeia pode representar novo desafioApesar das boas perspectivas em novos mercados, o setor apícola brasileiro acompanha com atenção outra situação que poderá afetar as exportações nos próximos meses.
Está prevista para setembro a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.
Entre os produtos atingidos pela medida está justamente o mel.
Caso a decisão entre em vigor sem alterações, empresas brasileiras precisarão buscar alternativas comerciais, adequações sanitárias e novos mercados consumidores para minimizar possíveis perdas.
O impacto ainda dependerá da evolução das negociações diplomáticas e das exigências regulatórias que deverão ser cumpridas pelo setor.
Perspectivas seguem positivas para a apicultura brasileiraMesmo enfrentando oscilações no comércio internacional, a apicultura brasileira continua demonstrando capacidade de adaptação.
A valorização do mel no mercado externo, a expansão das vendas para países como Canadá e Alemanha e a reversão de barreiras tarifárias nos Estados Unidos representam fatores que podem favorecer uma recuperação das exportações ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, o setor precisará acompanhar atentamente as mudanças envolvendo a União Europeia e continuar investindo em qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e abertura de novos mercados.
Com uma produção reconhecida internacionalmente pela diversidade floral, baixa utilização de produtos químicos e elevado padrão de qualidade, o mel brasileiro permanece entre os produtos agropecuários com maior potencial de crescimento nas exportações.
A combinação entre preços mais elevados, diversificação dos compradores e fortalecimento da imagem do produto nacional poderá consolidar a apicultura como uma atividade cada vez mais estratégica dentro do agronegócio brasileiro, ampliando oportunidades para produtores, cooperativas e empresas exportadoras nos próximos anos.