Café segue como principal produto da pauta exportadora, enquanto carnes avançam e União Europeia mantém posição de principal mercado comprador
O agronegócio de Minas Gerais segue demonstrando sua força no cenário internacional, mesmo diante de um ambiente global marcado por oscilações econômicas, desafios climáticos e mudanças nos fluxos de comércio. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do setor somaram US$ 5,8 bilhões, consolidando o estado entre os maiores exportadores agropecuários do Brasil.
Os dados divulgados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais revelam que foram embarcadas aproximadamente 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários no primeiro quadrimestre do ano. Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação com o mesmo período de 2025, Minas Gerais manteve posição estratégica no comércio exterior brasileiro, respondendo por 10,6% de todas as exportações nacionais do agronegócio.
O desempenho reafirma a importância da agropecuária mineira para a geração de divisas, desenvolvimento regional e fortalecimento da balança comercial brasileira.
Café mantém liderança absoluta nas exportaçõesPrincipal símbolo do agronegócio mineiro, o café continuou ocupando a liderança isolada entre os produtos exportados pelo estado. O segmento movimentou US$ 3,2 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, resultado obtido com o embarque de cerca de 7,4 milhões de sacas.
Embora os números representem uma redução de 17,5% em receita e de 26% em volume em relação ao mesmo período do ano anterior, o café segue sendo o principal motor das exportações agropecuárias mineiras.
A queda é atribuída principalmente à menor disponibilidade do produto após safras impactadas por condições climáticas adversas registradas nos últimos ciclos produtivos. Ainda assim, a cafeicultura mantém elevada relevância econômica para Minas Gerais, que continua sendo o maior produtor e exportador de café do Brasil.
A participação mineira nas exportações brasileiras do produto impressiona: 71% de todo o café exportado pelo país teve origem no estado, demonstrando a liderança absoluta de Minas no mercado internacional da commodity.
Além da quantidade exportada, a qualidade dos cafés produzidos em regiões como Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Chapada de Minas continua sendo um diferencial competitivo importante para atender mercados exigentes na Europa, América do Norte e Ásia.
Complexo soja ocupa segunda posição na pauta exportadoraO complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, manteve-se como o segundo principal grupo exportado pelo agronegócio mineiro em 2026.
As vendas externas alcançaram US$ 1,14 bilhão no primeiro quadrimestre, apresentando leve retração de 2,8% em valor na comparação anual. O volume embarcado atingiu 2,71 milhões de toneladas, registrando queda de 8,9%.
Apesar do recuo, a soja continua sendo uma das culturas mais importantes da economia rural mineira, impulsionada pela crescente demanda global por proteína vegetal, ração animal e biocombustíveis.
O setor segue beneficiado pela expansão tecnológica no campo, pela adoção de práticas sustentáveis e pelo aumento da produtividade observado em diversas regiões produtoras do estado.
Exportações de carnes registram crescimento e se destacam em 2026Enquanto importantes segmentos enfrentaram retrações, o setor de carnes apareceu como o principal destaque positivo das exportações agropecuárias mineiras.
As vendas externas de carne bovina, suína e de frango totalizaram US$ 576,7 milhões entre janeiro e abril deste ano, acompanhadas de um volume embarcado de aproximadamente 160 mil toneladas.
O resultado representa crescimento de 8,2% em faturamento e avanço de 0,7% em volume frente ao mesmo período de 2025.
A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo desempenho positivo. A demanda aquecida de importantes mercados compradores e a valorização dos preços contribuíram para ampliar a receita das exportações.
O crescimento do setor evidencia o fortalecimento da pecuária mineira, que vem investindo em tecnologia, genética, rastreabilidade e sustentabilidade para atender às exigências dos mercados internacionais.
Complexo sucroalcooleiro enfrenta cenário desafiadorO segmento sucroalcooleiro também teve participação relevante na pauta exportadora, mas registrou desempenho inferior ao observado no ano anterior.
As exportações do setor movimentaram US$ 268,7 milhões no primeiro quadrimestre, apresentando retração de 22,9% no faturamento.
O volume exportado caiu 2,7%, refletindo principalmente a redução nos preços médios praticados no mercado internacional para açúcar e derivados.
Mesmo diante do cenário menos favorável, o setor continua desempenhando papel estratégico na economia estadual, especialmente em regiões com forte presença da produção de cana-de-açúcar.
União Europeia permanece como principal destino dos produtos mineirosA União Europeia manteve sua posição como principal mercado comprador dos produtos do agronegócio mineiro.
Durante os quatro primeiros meses de 2026, os países do bloco importaram US$ 1,7 bilhão em mercadorias agropecuárias oriundas de Minas Gerais, representando 29,6% de toda a pauta exportadora do estado.
O resultado registrou redução de 2,9% em valor e de 2,5% em volume na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O café continua sendo o grande protagonista das exportações para os países europeus, respondendo por 94,4% do valor comercializado com o bloco.
Entretanto, outros segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais apresentaram crescimento de 42,8% em receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram em volume, demonstrando oportunidades de diversificação da pauta exportadora.
Segundo especialistas do setor, a União Europeia continua sendo um mercado estratégico devido ao elevado poder de consumo, à valorização de produtos de qualidade e à capacidade de absorver mercadorias de maior valor agregado.
Além disso, as rigorosas exigências sanitárias e ambientais impostas pelos países europeus funcionam como um selo de qualidade para os produtos brasileiros que conseguem acessar esse mercado.
Mercosul amplia diversidade de negóciosNo Mercosul, formado por Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, o agronegócio mineiro movimentou US$ 82 milhões no período analisado.
Embora tenha ocorrido redução de 2,1% no valor exportado, o volume embarcado cresceu 10,1%, indicando aumento da movimentação comercial entre os países do bloco.
A Argentina liderou as compras, concentrando 63,2% das importações realizadas pelos membros do Mercosul junto ao estado de Minas Gerais.
Diferentemente da União Europeia, cuja pauta é altamente concentrada no café, o comércio regional apresenta maior diversificação. Além do café, destacam-se produtos como cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, raízes, tubérculos e produtos florestais.
Essa diversidade reduz riscos comerciais e amplia as oportunidades para diferentes cadeias produtivas do agronegócio mineiro.
Minas Gerais reforça protagonismo global no agroMesmo diante da retração observada em alguns segmentos estratégicos, os resultados do primeiro quadrimestre de 2026 confirmam a relevância de Minas Gerais para o agronegócio nacional.
Com mais de 500 produtos exportados para cerca de 160 países, o estado demonstra uma capacidade produtiva diversificada e competitiva, capaz de atender diferentes mercados e perfis de consumidores ao redor do mundo.
O desempenho evidencia não apenas a força tradicional do café, mas também o crescimento de setores como carnes, produtos apícolas, lácteos, hortícolas e produtos florestais.
A expectativa do setor é que a recuperação da oferta agrícola, aliada à abertura de novos mercados e ao fortalecimento das relações comerciais internacionais, contribua para impulsionar as exportações mineiras ao longo dos próximos meses, consolidando ainda mais a posição de Minas Gerais como uma das principais potências do agronegócio brasileiro.