A segurança no meio rural tem ganhado protagonismo no debate do agronegócio brasileiro, especialmente em estados com forte vocação agrícola. Nesse cenário, o Paraná surge como referência nacional ao registrar uma expressiva redução nos índices de criminalidade no campo. Dados recentes da Secretaria da Segurança Pública apontam que o estado conseguiu diminuir em quase 79% os casos de roubos em propriedades rurais entre 2019 e 2025, resultado atribuído ao fortalecimento do policiamento especializado e à modernização das estratégias de atuação.
O avanço foi um dos temas centrais do 1º Seminário Nacional de Patrulha Rural Comunitária, realizado em Curitiba, reunindo representantes de diversos estados brasileiros. O encontro consolidou o Paraná como um modelo a ser observado quando o assunto é segurança no agronegócio, destacando a importância da integração entre forças policiais, produtores rurais e entidades do setor.
Segurança no campo: prioridade para o agroO crescimento do agronegócio brasileiro trouxe consigo novos desafios, entre eles o aumento da exposição das propriedades rurais a crimes patrimoniais e ações criminosas organizadas. Máquinas agrícolas, insumos, rebanhos e até mesmo veículos tornaram-se alvos frequentes, impactando diretamente a produtividade e a rentabilidade no campo.
No Paraná, a resposta a esse cenário veio por meio da ampliação da Patrulha Rural Comunitária, um programa baseado na presença ativa da polícia nas propriedades, no monitoramento constante e na criação de canais diretos de comunicação com os produtores.
Os números reforçam a eficácia da estratégia. Entre 2019 e 2025, os roubos em propriedades rurais caíram de 853 para 247 ocorrências. Já os furtos recuaram de 7.890 para 3.658 registros, evidenciando uma mudança consistente no cenário da segurança rural.
Queda nos crimes contra a vida e patrimoniaisAlém da redução nos crimes patrimoniais, os indicadores relacionados à violência também apresentaram melhora significativa. Os casos de homicídio doloso no meio rural passaram de 159 registros em 2019 para 87 em 2025. Já os feminicídios, embora em menor número, também recuaram, passando de cinco para três ocorrências no período.
Esses dados indicam que as ações de segurança no campo vão além da proteção de bens, contribuindo também para a preservação da vida e o fortalecimento do ambiente social nas áreas rurais.
Impacto direto na atividade agropecuáriaA redução da criminalidade teve reflexos diretos na atividade agropecuária, especialmente em crimes que atingem a produção. O furto de bovinos, por exemplo, caiu de 1.224 para 443 registros, enquanto os roubos de animais praticamente desapareceram, passando de 16 para apenas um caso no período analisado.
Os crimes envolvendo insumos agrícolas também apresentaram queda relevante. Os furtos reduziram de 160 para 43 ocorrências, e os roubos passaram de 14 para dois registros. Esses números são especialmente importantes para o produtor rural, que depende diretamente desses insumos para manter a produtividade e garantir a rentabilidade da safra.
Redução de crimes com veículos no meio ruralOutro ponto de destaque foi a diminuição dos crimes envolvendo veículos em áreas rurais. Os furtos caíram de 296 para 189 casos, enquanto os roubos recuaram de 335 para 100 ocorrências entre 2019 e 2025.
Esse avanço contribui não apenas para a segurança dos produtores, mas também para a logística do agronegócio, já que veículos são essenciais para o transporte de insumos e da produção agrícola.
Ações operacionais reforçam combate ao crimeParalelamente às ações preventivas, a atuação operacional das forças de segurança também apresentou resultados expressivos. Entre 2022 e 2025, foram registrados 322 flagrantes de tráfico de drogas, 435 armas de fogo apreendidas, 450 veículos recuperados e 760 mandados de prisão cumpridos.
Esses números demonstram que o combate à criminalidade no campo envolve tanto a prevenção quanto a repressão qualificada, criando um ambiente mais seguro para quem vive e produz no meio rural.
Patrulha Rural Comunitária: modelo que gera resultadosUm dos pilares do sucesso do Paraná é o programa de Patrulha Rural Comunitária. Atualmente, mais de 37 mil propriedades rurais estão cadastradas na iniciativa, e cerca de 24,6 mil já contam com certificações e placas de identificação.
O modelo é baseado na proximidade entre polícia e produtor, com visitas periódicas, mapeamento de riscos e orientação sobre medidas de segurança. Esse contato direto fortalece a confiança e facilita a troca de informações, permitindo respostas mais rápidas e eficientes.
De acordo com dados apresentados no seminário, há uma correlação estatística robusta entre o número de visitas realizadas e a redução de crimes como o abigeato. O coeficiente de -0,69 indica que quanto maior a presença policial preventiva, menor a incidência desse tipo de crime.
Integração entre estados fortalece segurança ruralO seminário realizado em Curitiba também evidenciou a importância da troca de experiências entre estados. Representantes de regiões como Acre, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul participaram das discussões, compartilhando desafios e soluções para a segurança no campo.
Além das forças de segurança, entidades do setor produtivo, como o Sistema FAEP, e federações da agricultura de estados como Paraíba e Sergipe marcaram presença, reforçando a necessidade de uma atuação conjunta.
Essa integração é vista como fundamental para enfrentar crimes que muitas vezes ultrapassam fronteiras estaduais, como o roubo de cargas, o furto de animais e o tráfico de insumos.
Um estado com forte presença ruralO avanço nas políticas de segurança ganha ainda mais relevância quando se observa o perfil do Paraná. O estado possui cerca de 14,76 milhões de hectares de território, com aproximadamente 95,7% dos municípios classificados como predominantemente rurais.
Nessas áreas, vivem cerca de 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 10,4% da população estadual. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas especificamente para o campo, garantindo não apenas a segurança, mas também o desenvolvimento sustentável do agronegócio.
Segurança como pilar do crescimento do agroA experiência do Paraná mostra que investir em segurança rural é essencial para o crescimento do agronegócio. A redução da criminalidade contribui para aumentar a confiança do produtor, estimular investimentos e melhorar a eficiência das operações no campo.
Além disso, a integração entre tecnologia, inteligência policial e participação da comunidade rural se mostra um caminho eficaz para enfrentar os desafios do setor.
Com resultados concretos e reconhecimento nacional, o modelo paranaense tende a servir de referência para outros estados brasileiros que buscam fortalecer a segurança no campo e garantir condições mais seguras para quem produz.