A Cosan avaliou nesta quarta-feira que existem dois potenciais fatores
favoráveis em 2015 para a indústria de etanol, que tem enfrentado
dificuldades nos últimos anos em meio a políticas do governo
desfavoráveis para o combustível.
"Há dois upsides potenciais
para o negócio de etanol que nem sequer estão expressos em nosso
guidance", disse Vasco Dias, presidente da Raízen, joint venture da
Cosan e da Shell.
Falando antes de evento de investidores no
Cosan Day, em São Paulo, o presidente da maior produtora de açúcar e
etanol do Brasil disse que novas medidas do governo poderão em breve
aumentar os lucros da empresa.
A primeira medida possível tem
relação com a reintrodução de uma taxa sobre a gasolina conhecida como
Cide, o que permitiria que o etanol recuperasse alguma parcela do
mercado de combustíveis de veículos leves que perdeu nos últimos anos,
disse Dias.
Ao longo dos últimos anos, o governo tem procurado
conter a inflação mantendo o preço da gasolina controlado. Uma das
estratégias para isso foi eliminar a Cide (Contribuição de Intervenção
do Domínio Econômico), o que prejudicou a competitividade do etanol.
Fonte
do governo consultada pela Reuters nesta quarta-feira disse que está em
análise o aumento da alíquota da Cide sobre combustíveis, zerada desde
2012.
De acordo com a fonte, além de gerar receita anual superior
a 10 bilhões de reais, o tributo vai melhorar a competitividade do
etanol no mercado brasileiro.
A Cide foi de 28 centavos por litro antes de o governo eliminá-la.
Além
disso, Dias disse que o governo poderia, no próximo ano, aumentar o
limite máximo da faixa de mistura de etanol na gasolina para 27,5 por
cento, ante o teto atual em vigor de 25 por cento, e com isso aumentar a
demanda pelo etanol anidro.
O governo está em fase final de estudos de viabilidade sobre os efeitos da mistura maior.