A
escala de navios nos portos brasileiros para exportação de milho até o
fim do ano está 10 por cento menor do que em novembro de 2013, em um
momento de maior competição do cereal nacional com o dos Estados Unidos,
indicando que Brasil não conseguirá repetir o bom desempenho dos
embarques da temporada passada.
O line-up inclui atualmente 3,11 milhões de toneladas para embarque
em todo o mês de novembro, além de navios para dezembro e com data a
confirmar. Um ano atrás, a fila previa embarques de 3,47 milhões de
toneladas, segundo dados da agência marítima Williams.
Os últimos meses do ano são tradicionalmente os de maior
movimentação de milho nos portos brasileiros, após o envio da maior
parte da safra de soja e com a grande oferta da colheita de milho de
inverno do país.
As exportações do Brasil no ano comercial entre fevereiro de 2013 e
janeiro de 2014 foram recordes, em 26,26 milhões de toneladas, segundo
dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Nos últimos meses do ano passado, o mundo ainda sentia falta da
oferta milho dos Estados Unidos, maior fornecedor global do grão, após
uma grande quebra de produtividade provocada por seca. O milho da safra
13/14 só chegaria ao mercado no fim de 2013 e início de 2014, dando ao
Brasil uma janela de oportunidade incomum para embarcar sua produção
recorde.
Expecionalmente, o Brasil terminou a temporada 2012/13 como o maior
exportador mundial de milho, segundo dados do Departamento de
Agricultura dos EUA (USDA).
Para a atual temporada, a oferta norte-americana já está normalizada. Os EUA colhem, neste momento, uma safra recorde do cereal.
"Estamos exportando menos milho porque os EUA estão com uma
supersafra à disposição", destacou o analista Steve Cachia, da corretora
Cerealpar.
O volume exportado pelo Brasil entre fevereiro e outubro deste ano
reforça a menor presença do milho nacional no mercado externo. Nos
primeiros nove meses da temporada, o país embarcou 11,33 milhões de
toneladas do produto, 31 por cento menos que no mesmo período de 2013.
Na primeira semana de novembro, as exportações do Brasil foram de
139,3 mil toneladas por dia, contra 195,6 mil toneladas diárias da média
de novembro de 2013, segundo dados da Secex divulgados nesta
segunda-feira.
Ao longo do ano, o governo brasileiro foi ajustando suas próprias
expectativas para as exportações de milho na temporada. Até setembro, a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previa volume total
embarcado de 21 milhões de toneladas para o atual ano comercial. No
relatório de outubro, a projeção foi rebaixada para 19,5 milhões de
toneladas, com um aumento proporcional dos estoques esperados ao final
da temporada.
A Conab divulga atualização de suas projeções de safra e oferta e demanda de grãos na manhã de terça-feira.
O USDA revisou nesta segunda-feira sua projeção para exportações de
milho do Brasil nesta temporada para 19,5 milhões de toneladas, ante 20
milhões no relatório de outubro.
Por outro lado, a forte desvalorização do real ante o dólar, que
torna mais rentáveis as exportações brasileiras, pode ajudar a mudar um
pouco o quadro.
Os preços pagos no porto de Paranaguá (PR) e Santos (SP) subiram 1,4
por cento e 3,2 por cento respectivamente na semana até o dia 6 de
novembro, segundo o Cepea.
"A forte valorização do dólar no período, de 5,7 por cento deve
contribuir para o aquecimento das exportações nas próximas semanas",
disse o centro de pesquisas, ligado à Universidade de São Paulo.