O milho que poderia encalhar e encavalar sobre a safrinha 2015, em Mato
Grosso, passou nesse mês a ser mais procurado do que o produtor poderia
esperar para o período em que a soja, em pleno plantio, ganha todos os
holofotes. Desde que o atraso no cultivo da oleaginosa por falta de
chuvas apontou para reduções de área na safrinha, por conta da perda da
janela de plantio ao cereal, e com as chuvas que retardam a colheita nos
Estados Unidos, o mercado voltou a demandar pelo cereal e aos poucos a
cotação vai ganhando preço e há quem aposte em um valor de até R$ 20
antes da virada do ano depois de chegar a menos de R$ 9, em algumas
praças.
O que era excesso poderá ser a única fonte de matéria-prima para
atravessar a entressafra do cereal e quem sabe, ainda socorrer o mercado
a partir do próximo ano. A corrida pelo milho, conforme o setor
produtivo, pode estar apenas começando.
Em apenas uma semana, a variação da cotação no mercado interno aumentou
em 4,88%, ao passar de R$ 12,82 – cotação média da semana retrasada -
para R$ 13,45, média da semana passada no Estado. Em igual momento de
outubro de 2013, a saca estava em R$ 10,22, números do Indicador do
Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Restam da
safra 2013/14, recém-colhida no Estado, pouco mais de 5 milhões de
toneladas das mais de 17,71 milhões produzidas. Antes da virada do mês, o
volume negociado representava 70% da colheita. E foi justamente de
setembro para outubro que as vendas tiveram o maior ritmo desde março
desde ano. Nesse intervalo a comercialização caminhou quase 20 pontos
percentuais sobre o período anterior (agosto/setembro), que tinha sido
até então o momento de maior demanda pelo grão. O cereal que registrava
atraso nas vendas em relação ao ano passado agora abre vantagem de 6
pontos percentuais na comparação anual.
O Imea cita variáveis que têm beneficiado o produtor que optou por
segurar a produção da última safrinha. Na terceira semana de outubro,
como apontam os analistas do Instituto, a relação entre o preço do frete
do milho e o preço da saca do cereal em Mato Grosso apresentou o menor
patamar desde o início desta safra, em julho. Analisando essa relação
com a mesma semana de 2013, vê-se que neste ano as condições estão um
pouco melhores. “Dois fatores colaboram para este fato, o primeiro são
os preços do frete a patamares reduzidos para esta época do ano, R$ 220
tonelada (Sorriso a Santos), e a segunda são as recuperações observadas
na cotação do milho em Mato Grosso, que hoje vale R$ 2,65/sc a mais do
que o apresentado em outubro de 2013. A variável frete, sofre efeitos de
um processo mais ágil nos portos, a utilização de silos bolsas e a
elevação e modernização da frota de caminhões no Estado. Já a variável
preço, vem se recuperando aos poucos, mesmo com preços baixos no mercado
internacional. Assim, possibilitam melhores oportunidades para os
produtores mato-grossenses”.
PREÇO - Como destaca produtor de Sinop (503 quilômetros ao norte de
Cuiabá) e ex-presidente do Sindicato Rural local, Antônio Galvan, diante
do atraso no cultivo da soja, que já deveria cobrir mais de 50% da área
estimada, é muito provável que haja impactos na realização da safrinha,
para a qual o milho, é a cultura mais utilizada no Estado. “É certa uma
perda de até 50% na produção final do milho segunda safra justamente
pela falta de janela. Depois de 20 de fevereiro o risco climático ao
milho passa a ser muito grande e quem plantar para além da data não vai
saber o que vai colher”. Em Mato Grosso, cerca de 35% da área de soja,
após a colheita do grão, volta a ser semeada com milho, por isso,
atrasos no plantio da primeira safra podem interferir no resultado da
próxima.
Como explica, a soja que tiver sido plantada depois de 20 de outubro
estará em ponto de colheita a partir de 20 de fevereiro, justamente
quando o melhor momento de plantio do milho, a chamada janela ideal, se
fecha ao cereal. “Acredito que o mercado está visualizando essa
possibilidade de escassez na oferta que se torna cada vez mais real na
medida em que o plantio de soja não avança como deveria. Os preços
internos do milho estão reagindo, de forma lenta, mas estão e não duvido
que antes da virada do ano haja saca a R$ 20”. E completa: “Hoje é o
atraso no plantio da soja que impacta na projeção da safrinha pela falta
de chuvas. Há dois anos seguidos, de meados de janeiro a meados de
fevereiro, são as chuvas intensas e incessantes é que atrapalham e
atrasam a colheita, o que por sua vez, pode impactar negativamente,
também, sobre a formação da segunda safra. Neste momento, o quanto
plantar de milho o que será colhido são duas grandes incógnitas no
Estado”.
Na última semana os preços pagos em praças importantes como Campo Novo
do Parecis, Campo Verde, Lucas do Rio Verde e Sinop tiveram variação
positiva, com máxima de R$ 16,70 em Campo Verde.