Excesso de oferta levará produtores a reduzirem os níveis de plantio,
clima também prejudica; segundo leilão Pepro para a cultura acontece
amanhã para produtores rurais do PR, MS e SP.
Sob as estimativas
de safra recorde, colheita de 7,67 milhões de toneladas e preços em
queda, o produtor de trigo deve recuar na área de plantio em 2015 e
reduzir os níveis de importação. O setor ainda espera baixa na qualidade
da produção pelo excesso de chuvas no Sul e a demanda interna excedente
voltará a ser abastecida pelo Mercosul, visto que o País consome cerca
de dez milhões de toneladas do cereal.
A necessidade de compras
no mercado externo acontece porque 70% do trigo cultivado no Brasil é do
tipo brando ou soft, que não tem a qualidade necessária para
panificação - principal mercado do setor. A avaliação é do presidente do
Moinho Pacífico, Lawrence Pih.
Mercado externo
"É cedo
para falar, porque nossos países vizinhos também sofreram com problemas
climáticos, mas, de fato, o Mercosul vai abastecer o Brasil e não
precisaremos do produto dos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, como
aconteceu neste ano", explica o executivo da indústria.
Em linha
com Pih, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo
(Abitrigo), Sérgio Amaral, ressalta que as lavouras do Paraguai e
Uruguai tiveram um aumento no patamar de produção, que se fortaleceu com
as perdas da Argentina.
Nas estimativas da associação, Paraguai e
Uruguai podem fornecer ao País cerca de um milhão de toneladas, cada
um, nos próximos anos.
"Apesar das perdas ocasionadas pelo clima,
a Argentina ainda é a grande produtora do cereal no bloco econômico. A
terra é muito mais produtiva, não precisa de muitos insumos e a moeda
ainda está desvalorizada. Se aqui nosso custo é R$ 100, lá custa-se R$
40 para produzir, essa é a relação", diz Pih.
"Com a queda nas
importações fora do Mercosul, possíveis retiradas da TEC [Tarifa Externa
Comum], como houve em 2014, não preocupam o setor", enfatiza Amaral.
A
TEC incide sobre as importações que vêm de fora do Mercosul e foi
isentada por um período determinado neste ano, fazendo com que os
moinhos se abastecessem e, para o presidente do Moinho Pacífico,
desestimulasse o produtor.
Nas exportações, Pih lembra que, em
anos anteriores, o Brasil comercializou trigo com qualidade abaixo da
estabelecida em contrato, agora perdeu credibilidade no mercado. "Para
conseguirmos escoar a produção lá fora, precisamos dar descontos entre
US$ 20 e US$ 30, por que o cereal brasileiro não é bem visto", critica.
Qualidade
Ainda
não foi possível mensurar os danos, mas o gerente técnico e econômico
da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e presidente da
Câmara Setorial das Culturas de Inverno, Flávio Turra, reconhece que
existe uma preocupação com as lavouras onde a colheita foi feita logo
após o período de chuvas.
O Paraná é o principal estado produtor
da cultura e, com 65% da safra já colhida, deve atingir 3,9 toneladas no
período de 2014/2015. Sobre a distinção entre o trigo brando e o tipo
para panificação, "já está recomendado e os produtores estão habituados a
plantarem o cereal de melhor qualidade. Se houver prejuízo na próxima
safra, ele acontecerá por queda na área de plantio e não por perda de
produtividade", explica gerente da Ocepar.
Amaral, da Abitrigo,
acredita que existe uma tendência de melhoria na qualidade do cereal
plantado no Rio Grande do Sul - segundo maior estado produtor - devido
ao esforço do agricultor, da melhoria na comercialização e do incentivo
do governo federal, que mantém o preço mínimo do trigo para panificação
mais alto do que o do tipo soft.
Auxílio
Amanhã, a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará o segundo leilão
de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) de trigo deste ano. A
operação é referente ao apoio à comercialização de 160 mil toneladas
voltadas a produtores rurais do PR, MS e SP, com produto da safra
2014/2015. Na última semana, foram escoados 68 mil toneladas nesta
modalidade.