As exportações brasileiras de carne bovina, que têm se beneficiado de
uma crescente demanda da Rússia, deverão ser favorecidas por vendas para
a China continental nos próximos meses, gerando uma forte demanda que
ajuda a sustentar os preços domésticos em conjunto com uma oferta
apertada de animais para abate, disse nesta segunda-feira o Rabobank.
"O acesso a mercados mudou no terceiro trimestre", disse o banco, com
forte atuação no financiamento ao agronegócio, em um relatório
trimestral.
O Rabobank projeta que as exportações brasileiras continuem crescendo no
segundo semestre de 2014, devido à reabertura do mercado chinês que
esteve fechado desde um caso atípico da doença da vaca louca registrado
em 2012 no Paraná.
O embargo russo a importações da carne da União Europeia, Austrália e
Estados Unidos também irá aumentar os negócios realizados pelo Brasil,
disse o banco.
O Rabobank não fez projeções sobre um índice de aumento das exportações do Brasil em 2014.
A demanda externa tem contribuído para repetidos recordes do preço da
arroba do boi no mercado paulista, referência para a indústria nacional.
Na sexta-feira, o Indicador Esalq/BM&FBovespa registrou máxima
histórica de 130,43 reais por arroba, acumulando ganhos de quase 14 por
cento em 2014.
"O mercado futuro também mostra um cenário forte para o preço do boi no
Brasil. Os contratos setembro, outubro e novembro de 2014 ficaram acima
de 130 reais por arroba pela primeira vez na história", disse o
Rabobank.
Por outro lado, apesar do quadro favorável para o Brasil no mercado
externo, os consumidores brasileiros poderão reagir à alta de preços
substituindo carne bovina por suína, alertou o banco.
O Rabobank disse ainda que projeta uma melhoria no volume de abates nos
próximos meses devido à entrada no mercado de bois de confinamento. Essa
oferta, no entanto, não deverá arrefecer os preços no Brasil devido ao
quadro de demanda internacional aquecida.