Principais regiões produtoras brasileiras registram aumento no número de animais para finalidade de corte e de lã.
Danilo Ucha
O
mercado brasileiro de carne ovina mostra-se cada vez mais consistente,
refletindo-se claramente no aumento do rebanho ovino nas principais
regiões dedicadas à criação de ovelhas, como Nordeste (9,8 milhões de
cabeças), Sul (4,88 milhões), Centro-Oeste (1,26 milhão), Sudeste (800
mil cabeças) e Norte (600 mil). As informações das associações das
diversas raças são contraditórias, mas, de acordo com o IBGE,
considerado um número oficial, o País teria uma rebanho de 17,3 milhões
de cabeças, com crescimento anual médio de 3,4%.
Em consequência
da crise internacional da lã, substituída pelos fios sintéticos nos anos
de 1960, no século passado, o Rio Grande do Sul deixou de ser o maior
produtor de ovinos – o rebanho caiu de 13 milhões de cabeças para cerca
de 3 milhões. A recuperação só começou nos últimos anos do século XX,
com uma espécie de reconversão no campo, a introdução do chamado
ovino-carne, destinado à produção de carne, quando o rebanho anterior
era de ovino-lã.
Mesmo assim, de acordo com o veterinário José
Galdino Garcia Dias, coordenador do programa Mais Ovino no Campo e da
Câmara Setorial dos Ovinos, da Secretaria da Agricultura e Pecuária do
Rio Grande do Sul, o rebanho produtor de lã ainda é 80% do total, e o
composto pelas raças de carne, 20%. Nos últimos anos, o setor laneiro se
recompôs, porque o preço do produto, sendo de alta qualidade,
recuperou, e até ultrapassou, os melhores preços dos anos de antes de
1960.
A ovinocultura está bem, voltou a ser rentável e está se
expandindo como alternativa, também, para pequenas propriedades e
consorciamento com outras atividades. O melhor exemplo tem sido dado
pela Expointer que, anualmente, registra número expressivo de animais.
Nesta 37ª edição, houve uma diminuição de 12,62%, explicada pela
Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) pela falta de melhor
infraestrutura no setor de ovinos do Parque Assis Brasil, em Esteio.
José Galdino Garcia acrescenta que também está havendo a opção de manter
as fêmeas nas fazendas, para aumentar o rebanho, e vender só os machos.
Alguns criadores das raças mais em evidência, como Texel, Ile
de France e Corriedale, também temem que uma superoferta baixe os
valores de venda nos remates. “Tenho a certeza de que a ovinocultura
vive seu melhor momento nos últimos 40 anos,” observa Galdino. O
otimismo, segundo ele, é evidenciado pelos números: após quedas
sucessivas, em abril de 2010 o rebanho chegou a 3,16 milhões de cabeças.
Nos últimos três anos, houve aumento superior a 10%, chegando a 4,2
milhões, em 2014. A lã voltou a ter preços atrativos. A carne ovina
possui um mercado muito promissor, com demanda garantida por muitos
anos. “Não conseguimos abastecer o mercado interno, e o externo quer
comprar e não temos para vender. Os incentivos do governo têm
contribuído para a recuperação.”
As estatísticas oficiais são
contestadas. Alguns dizem que há mais animais, outros, que há menos. De
acordo com o Departamento de Defesa Animais da Secretaria da
Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), o rebanho gaúcho está em
4,16 milhões de ovinos, sendo mais de 2,5 milhões de fêmeas em idade de
reprodução, o que é ótimo para a atividade de criação.
Falta,
porém, que criadores se conscientizem sobre a importância de declarar o
nascimento correto de cordeiros. Há uma declaração de 980 mil cordeiros,
o que é muito baixo em função do número de fêmeas. Galdino explica que
os criadores deveriam declarar os cordeiros no mês de novembro, pois, no
Rio Grande do Sul, após outubro, não nascem mais cordeiros. Hoje, a
declaração é feita em maio, quando o produtor precisa declarar todos os
animais na propriedade, e, aí, já vendeu ou abateu muitos.