Os governadores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estarão
reunidos nesta terça-feira (02.09), em Esteio (RS), para assinar um
protocolo de intenções e criar a Aliança Láctea Sul Brasileira. A união
dos estados do sul visa fortalecer e consolidar a cadeia produtiva do
leite na região. O evento acontecerá às 14h, no Auditório da
Administração do Parque Assis Brasil durante a 37ª Expointer. Às 17h, na
Casa do Produtor Catarinense, Santa Catarina e Rio Grande do Sul selam
mais uma parceria e ampliam o corredor de passagem da BR-101, permitindo
a entrada de produtos de origem animal.
Com a Aliança Láctea Sul Brasileira, a expectativa é de que em 10 anos, a
produção de leite dos três estados chegue a 19,5 milhões de toneladas
de leite por ano, 77% a mais do que é produzido hoje. Santa Catarina,
Paraná e Rio Grande do Sul são responsáveis por 33% da produção
brasileira de leite com 11 milhões de toneladas de leite por ano. O
secretário da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina, Airton Spies,
explica que os três estados possuem características comuns na produção
de leite por isso a iniciativa de unir esforços e tratar do
desenvolvimento da cadeia produtiva em conjunto.
A região formada pelo oeste de Santa Catarina, noroeste do Rio Grande do
Sul e sudoeste do Paraná é a que mais cresce em produtividade do leite
no Brasil, devido, principalmente, ao clima favorável, mão de obra
qualificada e presença de pastagem o ano todo. O secretário Spies
ressalta que o setor ainda pode melhorar muito em termos de
infraestrutura com estradas para o transporte de leite, energia elétrica
para o resfriamento e também investimentos nas propriedades, como em
resfriadores e salas de ordenha.
Entre as preocupações dos secretários da Agricultura do Sul estão as
ações voltadas para assegurar a sanidade dos rebanhos, principalmente
voltadas para o controle de febre aftosa, brucelose e tuberculose.
Atualmente, Santa Catarina é o único estado brasileiro livre de febre
aftosa sem vacinação reconhecido pela Organização Mundial de Saúde
Animal (OIE).
Com uma taxa de crescimento médio de 8,6% ao ano, Santa Catarina se
destaca como o quinto produtor nacional de leite, responsável por 7,9%
da produção do Brasil. Com 80 mil famílias rurais envolvidas, a produção
de leite está localizada, principalmente, em pequenas propriedades de
agricultores familiares, ou seja, mais de 60% das propriedades tem área
total menor que 20 hectares.
Corredor de Passagem
Desde abril, a BR-101 é corredor de passagem de produtos lácteos com
origem no Rio Grande do Sul com destino a outros estados. E a partir de
agora será permitida também a passagem de produtos de origem animal que
pela legislação sanitária já podem ingressar em Santa Catarina. A
fiscalização agropecuária será realizada a partir dos postos de divisa
de Torres e Garuva por funcionários da Companhia Integrada de
Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Não será permitida a
passagem de animais vivos.
A medida é válida também para cargas com origem em outros estados e com
destino ao Rio Grande do Sul. O acordo entre os governos gaúcho e
catarinense visa melhorar a logística da produção agropecuária do Rio
Grande do Sul e a distribuição de cargas nas rodovias, atualmente
concentradas na BR-116 e BR-153.
Hoje Santa Catarina possui seis corredores sanitários por onde é
permitida a passagem de animais e produtos de origem animal com o uso de
lacres aplicados pela Cidasc nas fronteiras. O estado conta com 63
barreiras sanitárias com o Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina que
controlam a entrada e a saída de produtos agropecuários. A fiscalização
nas fronteiras tem por finalidade proteger o rebanho catarinense de
doenças como a febre aftosa, da qual Santa Catarina é área livre sem
vacinação certificada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).