A pouco menos de 20 dias para a largada da nova safra brasileira de
soja, que sempre tem início por Mato Grosso, os produtores começam a
revelar suas estratégias na tentativa de amenizar os impactos do alto
custo de produção, em uma safra que antes mesmo de ser plantada dá
indícios de que será a de menor retorno dos últimos cinco, seis anos.
Para driblar, especialmente, o peso do custo de produção, a semeadura
antecipada deve nortear a sojicultura mato-grossense, e os primeiros
hectares deverão estar semeados já na segunda semana de setembro.
De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado
(Aprosoja/MT), há forte tendência de que a semeadura de soja seja
iniciada em setembro, logo após o fim do período do Vazio Sanitário,
intervalo de 90 dias que veta a existência de plantas vivas de soja no
Estado. Ainda conforme a entidade, o maior indicativo de que o plantio
será antecipado está na opção pelas variedades de soja adquiridas. “A
maioria vai plantar sementes precoces e semiprecoces para amenizar a
pressão da ferrugem asiática usando menos fungicidas e, assim,
diminuindo os riscos e os custos”.
Com a opção pela antecipação, o produtor que planta ainda em setembro
tem condições de colher em janeiro e vender a produção em um momento de
preços remuneradores sem o peso da ‘boca de safra’, já que a
produtividade de variedades precoces e semiprecoces não é das melhores, e
então, se tenta compensar com o preço. Além de resguardar a lavoura do
período crítico das chuvas e da alta incidência da ferrugem, há tempo
hábil para realizar a safrinha, cultivo que garante uma renda extra
dentro do mesmo ano-safra.
A antecipação será a estratégia do produtor rural em Tapurah, Silvésio
Oliveira. “Optamos por plantar a semiprecoce, que tem produtividade alta
e colheremos em janeiro”. A busca por altas produtividades também são
focos desta safra, já que os preços da saca não estão reagindo e seguem
pressionados pela projeção de grande oferta em 2015.
Como explica o diretor técnico da Aprosoja/MT, Nery Ribas, a janela
ideal para o plantio do grão, entretanto, é em outubro. “Em setembro é
mais arriscado plantar, pois não temos o regime de chuvas adequado e o
potencial produtivo não será aproveitado em sua totalidade”, alerta.
De acordo com a Somar Meteorologia, as chuvas em Mato Grosso estarão
acima da média, mas ainda assim os acumulados variam de 40 a 80
milímetros. “As chuvas mais expressivas devem ocorrer na segunda
quinzena do mês, mas serão irregulares e não ocorrem ao longo do mês”,
explica o meteorologista Celso Oliveira. Segundo ele, o retorno da chuva
ocorre de forma gradual a partir da segunda quinzena de outubro e só se
regulariza em novembro.
A CAUTELA - Prova de que os produtores estão cautelosos aguardando um
bom momento são os números de comercialização da safra 2014/15 no
mercado futuro. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia
Agropecuária (Imea), até julho apenas 8% da estimativa de produção, em
mais de 27 milhões de toneladas, tinham sido fechados, enquanto que no
mesmo período do ano anterior eram 31%. Segundo o Imea, a expectativa do
mercado é de preços baixos para a próxima safra, então as empresas não
estão pagando valores remuneradores neste momento, até porque com o
desenvolvimento da safra norte-americana e a aposta em recorde de
produção por lá, há um clima de esperar para se ter a certeza da
consolidação das boas perspectivas no hemisfério Norte. A colheita deve
ter início nos próximos dias.
Enquanto as dúvidas e as incertezas regem o comportamento ‘pré-plantio’,
especialmente do lado do sojicultor, eles sabem apenas que terão de
errar o mínimo para obter o máximo das lavouras, pois a grande certeza
até agora é que eles estão próximos de dar início a safra mais cara da
história do Estado, onde cada hectare, conforme a média do Imea, está em
R$ 2,4 mil.