Depois de recuar 3,8% em 2015, o PIB total brasileiro se retraiu novos 3,6% no fechamento de 2016 (IBGE/Contas Nacionais Trimestrais). Segundo dados da Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), observou-se baixa semelhante no estado de São Paulo, com o PIB recuando 3% no ano na comparação com 2015. Além disso, a taxa de desocupação da força de trabalho foi crescente ao longo do ano, tanto no Brasil quanto no estado. No País, a taxa passou de 10,9% no primeiro trimestre de 2016, para 12% no último trimestre do ano. Na mesma comparação, no estado de São Paulo, o percentual passou de 12% para 12,4% (IBGE/Pnad Contínua Trimestral).

A conjuntura econômica desfavorável afetou os resultados do agronegócio de São Paulo em diferentes atividades e segmentos. No segmento de insumos, a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas sentiu o efeito da falta de confiança dos agentes econômicos do agronegócio. No ramo pecuário, a demanda retraída por carnes limitou os resultados, seja dentro da porteira ou nos elos industriais das cadeias. Para as agroindústrias cujos resultados são atrelados ao mercado interno, o cenário econômico desfavorável também impactou negativamente no desempenho, como observado para as indústrias moveleira, têxtil, vestuarista e de calçados.

Com isso, seja para o agregado nacional ou para o estado de São Paulo, reduções no volume de produção marcaram o desempenho do agronegócio. No caso do agronegócio brasileiro, retrações de produção foram verificadas em todos os segmentos, inclusive “dentro da porteira”. Já no agronegócio paulista, o cenário em termos de produção é um pouco menos desfavorável, com expansão do volume de produção nos segmentos primário agrícola e no de insumos.  

Apesar das reduções gerais de produção em 2016, tendo em vista que o PIB do agronegócio, calculado pelo Cepea-Esalq/USP, acompanha a renda real do setor (são consideradas as variações reais de preço das diversas atividades componentes do agronegócio), observou-se efeito positivo sobre o PIB da valorização real de preços no ano. Deste modo, o PIB do agronegócio do estado de São Paulo cresceu 7,4% em 2016. Pode-se dizer, então, que os agentes do agronegócio em conjunto tiveram renda real maior em 2016 frente a 2015.

O resultado positivo do agronegócio paulista atrelou-se principalmente à elevação de 8,9% no ramo agrícola – o ramo pecuário também cresceu, mas a uma taxa mais modesta, de 0,8%. Pela ótica dos segmentos, o agronegócio foi ainda impulsionado pela expansão relevante do PIB do segmento primário, de 19,7%, e pelos crescimentos da agroindústria (5,9%), dos insumos (4,8%) e dos agrosserviços (6,4%).

 


Fonte: Cepea/Fiesp