O mercado de frete de grãos no Paraná encerrou o mês de dezembro de 2025 com baixa volatilidade nos preços, refletindo um período de estabilidade logística no estado. As informações constam no Boletim Logístico Ano IX – janeiro/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta variações praticamente neutras nos custos de transporte de milho e soja em relação a novembro, movimento atribuído, principalmente, ao ritmo mais lento característico do final de ano.

Segundo o levantamento, a maior parte das regiões produtoras paranaenses manteve os valores de frete sem alterações significativas, indicando um equilíbrio entre oferta e demanda por serviços de transporte. A única exceção observada foi o município de Campo Mourão, onde houve uma variação positiva de 9% nos preços do frete, destoando do comportamento geral do estado.

Estabilidade marca o transporte de milho, soja e feijão

De acordo com a Conab, não foram registradas mudanças nos valores do frete do milho em Toledo nem do feijão em Ponta Grossa, o que reforça o cenário de estabilidade observado ao longo do mês. Esse comportamento reflete não apenas a sazonalidade típica de dezembro, mas também uma maior previsibilidade logística, favorecida pelo bom planejamento dos embarques e pela elevada taxa de comercialização da safra.

Especialistas do setor apontam que, tradicionalmente, o último mês do ano é marcado por uma redução no volume de operações logísticas, em razão das festas, férias e menor ritmo de negociações. Esse contexto contribui para evitar oscilações bruscas nos preços do frete, mesmo em estados com forte produção agrícola, como o Paraná.

Além disso, a infraestrutura logística paranaense, aliada à proximidade com portos estratégicos e centros consumidores, tem desempenhado papel fundamental para manter os custos sob controle, mesmo em períodos de maior pressão sobre o transporte rodoviário.

Comercialização da safra avança e sustenta o mercado

Outro fator que ajuda a explicar a estabilidade do frete de grãos no Paraná é o alto nível de comercialização da safra 2024/25, conforme dados divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), por meio do Departamento de Economia Rural (Deral).

Na primeira safra, os números mostram um avanço expressivo nas vendas:

  • 95% do milho já foi comercializado;

  • 87,5% da soja teve destino definido;

  • 100% do feijão foi vendido.

Esses percentuais elevados indicam que produtores e tradings anteciparam negociações, reduzindo gargalos logísticos e a necessidade de transportes emergenciais, que costumam pressionar os preços do frete em determinados períodos.

Já na segunda safra, o cenário também é considerado positivo. Segundo o relatório, 69,9% do milho já foi negociado no estado. O destaque fica para a região de Toledo, onde o índice de comercialização da segunda safra alcança 63,2%, resultando em 95,3% da produção total já comprometida.

Esse ritmo acelerado de vendas contribui para um fluxo mais organizado de escoamento da produção, permitindo melhor planejamento do transporte e evitando picos de demanda concentrados em curtos períodos.

Impactos no custo de produção e na competitividade

A estabilidade no frete de grãos é vista com bons olhos por produtores rurais e agentes da cadeia do agronegócio, já que o transporte representa uma parcela significativa do custo total de produção, especialmente para commodities como milho e soja.

Com valores mais previsíveis, o produtor consegue planejar melhor suas margens, enquanto cooperativas, cerealistas e exportadores ganham eficiência operacional. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, qualquer previsibilidade nos custos logísticos se traduz em maior competitividade.

Analistas destacam que, mesmo com desafios estruturais históricos no transporte rodoviário brasileiro, o Paraná tem se destacado por uma logística relativamente mais eficiente, o que ajuda a mitigar oscilações bruscas nos fretes ao longo do ano.

Paraná mantém protagonismo nas exportações de grãos

No comércio exterior, o boletim da Conab reforça a importância do Paraná no desempenho nacional das exportações agrícolas. No período analisado, o estado respondeu por 11,6% das exportações brasileiras de milho e 20% das exportações de soja, números que evidenciam o peso da produção paranaense no mercado internacional.

Esse protagonismo amplia a relevância da logística interna e do controle dos custos de transporte, já que a competitividade no mercado externo depende diretamente da eficiência no escoamento da produção até os portos.

Com uma participação expressiva nas exportações, qualquer variação no frete pode impactar diretamente a rentabilidade das operações e a atratividade do produto brasileiro frente a concorrentes internacionais.

Perspectivas para os próximos meses

Para os primeiros meses de 2026, a expectativa do mercado é de que o frete de grãos no Paraná siga um comportamento mais dinâmico, acompanhando o avanço da colheita da segunda safra e o aumento gradual da movimentação logística.

Tradicionalmente, o início do ano marca um crescimento na demanda por transporte, o que pode gerar ajustes nos preços. No entanto, o elevado nível de comercialização antecipada e a boa organização do fluxo de cargas tendem a suavizar possíveis pressões.

Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis e não haja grandes interrupções na infraestrutura, o estado deve manter um ambiente logístico relativamente equilibrado, preservando sua competitividade tanto no mercado interno quanto nas exportações.

O cenário de estabilidade no frete de grãos no Paraná em dezembro de 2025 reflete um conjunto de fatores positivos, como a sazonalidade do período, o alto índice de comercialização da safra e uma logística bem estruturada. A exceção registrada em Campo Mourão não compromete o quadro geral, que segue marcado por previsibilidade e equilíbrio.

Com forte participação nas exportações nacionais de milho e soja, o Paraná reafirma seu papel estratégico no agronegócio brasileiro. A manutenção de custos logísticos controlados será decisiva para sustentar esse protagonismo ao longo de 2026, em um ambiente cada vez mais competitivo e atento à eficiência da cadeia produtiva.