O agronegócio brasileiro voltou a demonstrar sua força em 2025, desta vez com um desempenho histórico no mercado internacional de frutas. Mesmo diante de barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e de um cenário externo marcado por incertezas econômicas, o Brasil encerrou o ano com exportações de frutas frescas e secas que superaram US$ 1,4 bilhão, atingindo recordes tanto em volume quanto em valor. Os dados foram divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA e confirmam a consolidação do país como um dos principais fornecedores globais de frutas tropicais.
Ao longo de 2025, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas de frutas, o que representou um crescimento de 20% em volume na comparação com 2024. Em termos financeiros, o avanço foi de 11% no valor FOB, reflexo da recuperação da produção nacional, da diversificação de mercados e do fortalecimento da demanda em regiões estratégicas, como a União Europeia. O resultado final foi um superávit de US$ 423 milhões na balança comercial de frutas, mesmo em um ambiente internacional considerado adverso.
Recuperação da produção impulsiona resultadosApós períodos de instabilidade climática em anos anteriores, a produção brasileira de frutas apresentou recuperação significativa em 2025. Condições climáticas mais favoráveis em polos produtores do Nordeste, Sudeste e Sul do país contribuíram para o aumento da oferta e da qualidade dos produtos destinados ao mercado externo. Além disso, investimentos em tecnologia agrícola, manejo eficiente e logística mais integrada ajudaram a reduzir perdas e ampliar a competitividade do setor.
Esse conjunto de fatores permitiu que o Brasil atendesse à demanda internacional com regularidade, mesmo enfrentando desafios como custos logísticos elevados e exigências sanitárias cada vez mais rigorosas. A capacidade de adaptação dos produtores e exportadores foi determinante para sustentar o crescimento ao longo do ano.
Manga lidera ranking de exportações brasileirasEntre as frutas brasileiras mais exportadas em 2025, a manga manteve a liderança absoluta em valor. O produto somou US$ 335,1 milhões em receita, consolidando-se como o principal carro-chefe das exportações de frutas do país. Produzida majoritariamente no Vale do São Francisco, a manga brasileira se destaca pela qualidade, padronização e capacidade de atender grandes mercados durante períodos de entressafra no hemisfério norte.
Na sequência do ranking aparecem os melões, com US$ 231,5 milhões, impulsionados pela forte demanda europeia e pelo reconhecimento do produto brasileiro. Os limões ocuparam a terceira posição, com US$ 199,2 milhões, seguidos por uvas, que alcançaram US$ 158,6 milhões, e melancias, com US$ 115,6 milhões em exportações.
Essas frutas reforçam a diversidade da pauta exportadora do país e evidenciam o potencial do Brasil não apenas como fornecedor de commodities agrícolas tradicionais, mas também como protagonista no mercado global de frutas frescas.
União Europeia amplia protagonismo como destinoA União Europeia manteve-se como o principal destino das frutas brasileiras em 2025, absorvendo 62% do total exportado. Países como Holanda, Espanha, Alemanha e França seguem como portas de entrada estratégicas, tanto para consumo interno quanto para redistribuição dentro do bloco europeu.
O desempenho no mercado europeu foi favorecido por janelas de entressafra, período em que a produção local é reduzida, especialmente na Espanha, um dos maiores produtores de frutas da região. Com menor oferta interna, os importadores europeus ampliaram as compras do Brasil, garantindo abastecimento e estabilidade de preços.
Além da União Europeia, o Reino Unido respondeu por 16% das exportações brasileiras, mantendo-se como um mercado relevante mesmo após o Brexit. Já a Argentina apareceu como terceiro principal destino, com 7% de participação, reforçando a importância do comércio regional no Mercosul.
Barreiras dos EUA não impedem crescimentoApesar dos resultados positivos, o setor enfrentou obstáculos ao longo de 2025. As barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, especialmente relacionadas a exigências fitossanitárias e protocolos de acesso ao mercado, limitaram o avanço das exportações brasileiras para o país norte-americano. Ainda assim, o impacto foi parcialmente compensado pela diversificação de destinos e pelo fortalecimento das relações comerciais com a Europa e outros mercados.
Especialistas avaliam que a estratégia de não depender de um único comprador foi fundamental para manter o crescimento. A abertura de novos mercados, aliada à consolidação de destinos tradicionais, reduziu riscos e garantiu maior estabilidade ao setor.
Perspectivas positivas para os próximos anosO desempenho de 2025 reforça uma perspectiva otimista para o agronegócio de frutas no Brasil. A tendência é de continuidade nos investimentos em tecnologia, rastreabilidade, sustentabilidade e certificações internacionais — fatores cada vez mais valorizados pelos compradores globais.
Além disso, a crescente demanda por alimentos frescos e saudáveis, especialmente em países europeus, deve seguir impulsionando as exportações brasileiras. O desafio, segundo analistas, será manter a competitividade diante de custos logísticos elevados e possíveis mudanças nas políticas comerciais internacionais.
Ainda assim, o setor entra nos próximos anos fortalecido, com uma base produtiva mais eficiente e mercados bem diversificados. O resultado histórico de 2025 mostra que, mesmo em um cenário global desafiador, o Brasil segue ampliando seu espaço no comércio internacional de frutas.
Brasil consolida posição estratégica no mercado global de frutasAo superar a marca de US$ 1,4 bilhão em exportações, o Brasil não apenas quebrou recordes, mas também reafirmou sua posição estratégica como fornecedor confiável de frutas tropicais. O superávit na balança comercial, o crescimento consistente e a liderança em produtos como manga, melão e limão demonstram a maturidade do setor e sua capacidade de adaptação.
Com planejamento, inovação e diversificação de mercados, o agronegócio brasileiro de frutas segue como um dos pilares do comércio exterior nacional, contribuindo para geração de renda, empregos e desenvolvimento regional em diversas áreas do país.