As exportações de carne bovina do Brasil deverão manter um patamar elevado em 2026, com volumes projetados entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas, segundo estimativas divulgadas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Caso o teto da projeção se confirme, o país poderá repetir o desempenho recorde observado em 2025, quando os embarques somaram aproximadamente 3,5 milhões de toneladas, considerando produtos in natura e industrializados.

O cenário indica estabilidade nas exportações brasileiras de carne bovina, mesmo diante de um ambiente internacional mais desafiador, marcado por medidas de proteção adotadas pela China, principal destino da proteína nacional. O país asiático, que respondeu por cerca de 50% das compras externas de carne bovina brasileira no ano passado, tem buscado fortalecer sua indústria local, impondo restrições ao acesso de fornecedores estrangeiros.

China reduz espaço, mas Brasil mantém competitividade

De acordo com Roberto Perosa, presidente da Abiec, as medidas adotadas pela China não devem provocar uma queda significativa nas exportações totais do Brasil em 2026. Segundo ele, o setor já trabalha com estratégias de diversificação de mercados, capazes de absorver parte dos volumes que eventualmente deixarem de ser embarcados ao mercado chinês.

“A expectativa é de que as exportações permaneçam praticamente inalteradas em relação a 2025. Os volumes que não forem vendidos para a China poderão ser redirecionados para outros países ou para mercados onde o Brasil ainda está ampliando sua presença”, afirmou Perosa.

A avaliação do setor é que a carne bovina brasileira segue altamente competitiva no mercado internacional, tanto pelo custo de produção quanto pela capacidade de oferta em larga escala, fatores que mantêm o país como um dos principais fornecedores globais da proteína.

Novos mercados ganham protagonismo em 2026

Entre as principais apostas para sustentar os embarques em 2026 estão os novos mercados recentemente abertos e aqueles que se encontram em fase avançada de negociação. Um dos destaques é o Vietnã, que anunciou recentemente a autorização para importação de carne bovina do Brasil, abrindo uma importante porta de entrada para o Sudeste Asiático.

Além disso, a Abiec confirmou que há negociações em andamento para ampliar o acesso da carne bovina brasileira a mercados considerados estratégicos e de alto valor agregado, como Japão e Coreia do Sul. Esses países possuem exigências sanitárias rigorosas, mas oferecem margens mais elevadas e maior previsibilidade comercial para os exportadores.

“Estamos trabalhando para avançar em mercados que exigem padrões elevados, mas que reconhecem a qualidade da carne brasileira. Japão e Coreia do Sul são exemplos de destinos que podem representar um salto qualitativo para nossas exportações”, destacou Perosa.

Filipinas e Indonésia ampliam demanda por carne brasileira

Outro movimento relevante apontado pela Abiec é o fortalecimento das relações comerciais com países do Sudeste Asiático, especialmente Filipinas e Indonésia. O crescimento populacional, aliado à expansão da renda nessas economias, tem impulsionado o consumo de proteínas animais, criando oportunidades para exportadores brasileiros.

As conversas em andamento visam não apenas aumentar os volumes embarcados, mas também consolidar acordos de longo prazo, capazes de garantir maior estabilidade ao fluxo de exportações. Para o setor, essa estratégia é fundamental para reduzir a dependência de um único comprador e mitigar riscos geopolíticos e comerciais.

Grandes frigoríficos sustentam estratégia de expansão

A Abiec representa alguns dos maiores grupos exportadores de carne bovina do Brasil, incluindo JBS, Marfrig (MBRF) e Minerva, empresas listadas em bolsa e com forte presença internacional. Esses frigoríficos vêm investindo de forma contínua em adequação sanitária, rastreabilidade, sustentabilidade e certificações, requisitos cada vez mais exigidos pelos mercados compradores.

A atuação dessas companhias tem sido decisiva para manter o Brasil como referência global no comércio de carne bovina. Além da escala produtiva, o país se destaca pela capacidade de atender diferentes perfis de mercado, desde destinos focados em preço até países que demandam cortes premium e protocolos específicos.

Sustentabilidade e imagem internacional seguem no radar

Apesar do bom desempenho projetado, o setor reconhece que desafios permanecem no horizonte. Questões relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade ambiental e bem-estar animal seguem no centro do debate internacional e podem influenciar o acesso a determinados mercados.

Nos últimos anos, frigoríficos e entidades do setor têm ampliado investimentos em programas de controle da cadeia produtiva, buscando garantir que a carne exportada esteja alinhada às exigências ambientais e sociais dos principais compradores globais. Essa agenda é vista como essencial para preservar a competitividade do Brasil no médio e longo prazo.

Perspectivas para 2026 reforçam força do agronegócio

A projeção de exportações entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2026 reforça o papel estratégico do setor pecuário na balança comercial brasileira. Mesmo diante de ajustes no mercado chinês, o Brasil demonstra capacidade de adaptação, diversificação e expansão em novos destinos.

Para analistas do setor, a combinação de escala produtiva, competitividade de custos e abertura de mercados tende a sustentar o desempenho das exportações ao longo do ano. Caso as negociações em curso avancem, especialmente com países da Ásia, o Brasil poderá não apenas manter, mas até fortalecer sua posição como um dos maiores exportadores globais de carne bovina.

Em um cenário internacional cada vez mais competitivo, a estratégia de reduzir a dependência de um único mercado e ampliar a presença em países emergentes e desenvolvidos se consolida como o principal caminho para garantir crescimento sustentável ao setor em 2026 e nos anos seguintes.