A safra 2025/26 consolida o milho como uma das culturas estratégicas do Oeste da Bahia, tanto pelo crescimento da área cultivada quanto pelo volume expressivo de produção estimado para o ciclo. Dados divulgados pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) indicam que o cereal registrou aumento de 14,3% na área plantada em comparação à temporada anterior, alcançando aproximadamente 120 mil hectares. O avanço reforça a importância do milho dentro do sistema produtivo regional, especialmente em rotação com a soja.

O plantio foi concluído dentro da janela agronômica considerada ideal, entre os meses de dezembro e janeiro, fator que contribui diretamente para o bom desenvolvimento das lavouras. A combinação entre planejamento técnico, condições climáticas favoráveis no período inicial e adoção de tecnologias tem sustentado expectativas positivas quanto ao desempenho da cultura no Oeste baiano.

Produção estimada ultrapassa 1,3 milhão de toneladas

Segundo a Aiba, a produção total de milho na safra 2025/26 está estimada em 1,346 milhão de toneladas, com produtividade média de 187 sacas por hectare. O número confirma o Oeste da Bahia como uma das principais fronteiras agrícolas do país também na produção de grãos além da soja e do algodão.

O desempenho produtivo reflete a evolução dos sistemas de manejo adotados na região, que incluem correção de solo, uso de híbridos adaptados às condições locais e investimentos em irrigação e monitoramento climático. Nos últimos anos, o milho deixou de ser apenas uma cultura complementar para assumir papel relevante na composição da renda do produtor rural.

Milho irrigado mantém produtividade elevada

No caso do milho irrigado, cultivado principalmente como segunda safra, a área foi revisada para 75 mil hectares, com previsão de produção de 855 mil toneladas. A produtividade média estimada permanece elevada, em torno de 190 sacas por hectare, demonstrando a eficiência dos sistemas de irrigação e do manejo intensivo adotado pelos agricultores da região.

O milho irrigado tem se destacado como alternativa estratégica para garantir estabilidade produtiva, sobretudo em anos de maior irregularidade climática. Além disso, permite melhor planejamento da colheita e maior previsibilidade de resultados, fatores cada vez mais valorizados em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas.

Desafios fitossanitários exigem atenção constante

Apesar das boas perspectivas produtivas, a safra não está livre de desafios. Nos primeiros talhões já avaliados, os principais problemas fitossanitários observados foram a presença da lagarta Spodoptera e da cigarrinha-do-milho, pragas conhecidas pelo potencial de causar perdas significativas quando não manejadas adequadamente.

De acordo com técnicos da região, o controle eficiente dessas pragas depende de monitoramento constante e da adoção de práticas integradas de manejo, como rotação de culturas, uso racional de defensivos, escolha correta de híbridos e controle biológico sempre que possível. A atenção redobrada nesse estágio inicial da lavoura é fundamental para preservar o potencial produtivo até a colheita.

Comercialização segue em ritmo lento

No mercado, o cenário é mais cauteloso. Até o dia 12 de janeiro, apenas 38% da safra 2025/26 de milho havia sido comercializada, percentual bem inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando praticamente 100% da produção já estava vendida. A desaceleração nas vendas reflete a postura mais conservadora dos produtores diante das incertezas de preço e do custo de produção.

A saca de milho está cotada, em média, a R$ 62,33, valor que pode pressionar a margem de rentabilidade, especialmente para produtores com custos mais elevados, como os sistemas irrigados. Diante desse cenário, muitos agricultores optam por segurar parte da produção à espera de melhores oportunidades de mercado ao longo do ano.

Importância do milho na rotação de culturas

Atualmente, o milho representa cerca de 10,6% da área total cultivada no Oeste da Bahia, mas sua relevância vai além dos números. A cultura desempenha papel essencial na rotação com a soja, contribuindo para a manutenção da fertilidade do solo, quebra do ciclo de pragas e doenças e melhoria da estrutura física da terra.

Especialistas destacam que a diversificação de culturas é um dos pilares da sustentabilidade agrícola na região. Ao manter o solo ativo ao longo do ano e reduzir a dependência de uma única commodity, o produtor ganha em resiliência produtiva e econômica.

Perspectivas para o ciclo 2025/26

Com área em expansão, produtividade elevada e adoção crescente de tecnologia, o milho segue fortalecendo sua posição no Oeste baiano. Embora o ritmo de comercialização ainda preocupe parte dos produtores, a expectativa é de que o mercado encontre maior equilíbrio nos próximos meses, acompanhando o comportamento da demanda interna e das exportações.

A safra 2025/26 reforça que o milho deixou de ser apenas uma cultura secundária na região e passou a ocupar espaço estratégico no planejamento agrícola. Em um ambiente cada vez mais desafiador, marcado por oscilações de preços e custos elevados, a eficiência produtiva e a boa gestão comercial serão determinantes para o sucesso do ciclo.