Agro é o motor da renda e do emprego no Brasil: setor lidera ganhos salariais e redefine o mercado de trabalho, aponta IBGE

O agronegócio brasileiro voltou a ocupar posição central na economia nacional, desta vez com reflexos diretos no bolso do trabalhador e na dinâmica do mercado de trabalho. Dados recentes da PNAD Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam aquilo que já vinha sendo percebido no dia a dia do campo e das cidades: o agro é hoje o principal motor de geração de renda, emprego e valorização salarial no país.

Em um cenário de aquecimento econômico generalizado, o setor rural conseguiu ir além da média nacional, registrando a maior alta real de salários entre todos os segmentos analisados. O levantamento referente ao trimestre móvel encerrado em novembro de 2025 mostra que a agropecuária, a pecuária e a silvicultura lideraram o ranking de crescimento da remuneração, consolidando o protagonismo do campo em um momento histórico para o mercado de trabalho brasileiro.

Salários do agro crescem acima da média nacional

A comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2025 revela um dado expressivo: os salários pagos no setor agropecuário cresceram 7,3% em termos reais, já descontada a inflação do período. Esse avanço representa um acréscimo médio de R$ 154,00 mensais na renda dos trabalhadores do campo, índice que supera com folga os ganhos observados em setores tradicionais da economia urbana, como indústria, comércio e serviços.

O resultado confirma que o agro deixou de ser apenas um pilar produtivo para se tornar também um vetor de ascensão social. Em muitas regiões do país, especialmente no interior, a renda gerada pela atividade rural tem sido responsável por movimentar o comércio local, estimular investimentos e melhorar o padrão de vida das famílias.

Especialistas apontam que esse crescimento salarial está diretamente ligado a fatores estruturais do setor, como aumento da produtividade, maior adoção de tecnologia, profissionalização da gestão e demanda crescente por mão de obra qualificada. Com menos trabalhadores disponíveis e mais exigência técnica, o campo passou a pagar melhor para atrair e reter talentos.

Brasil atinge nível histórico de emprego

O avanço do agro ocorre dentro de um contexto macroeconômico considerado excepcional. Segundo o IBGE, o Brasil alcançou a menor taxa de desemprego desde 2012, fixada em 5,2%. Trata-se de um patamar que muitos economistas classificam como próximo do pleno emprego, quando praticamente todos os trabalhadores dispostos a atuar encontram alguma ocupação.

Os números reforçam esse cenário positivo. Atualmente, o país soma cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente da série histórica da PNAD Contínua. Em doze meses, o número de desocupados caiu quase 15%, reduzindo para 5,6 milhões o total de brasileiros que ainda buscam uma vaga no mercado de trabalho.

Esse ambiente de forte concorrência por mão de obra pressiona as empresas a oferecerem salários mais altos e melhores condições de trabalho. Nesse contexto, o agro se destaca não apenas por acompanhar esse movimento, mas por liderá-lo, influenciando diretamente a elevação da renda média nacional, que atingiu o recorde de R$ 3.574.

Agro puxa a média salarial e influencia outros setores

Embora o campo tenha sido o grande destaque, os efeitos do aquecimento econômico se espalharam por outras áreas. A PNAD Contínua também identificou crescimento relevante nos rendimentos da Construção Civil, impulsionada por investimentos em infraestrutura e habitação, e no setor de Informação e Comunicação, beneficiado pela digitalização acelerada da economia.

Ainda assim, nenhum desses segmentos apresentou desempenho superior ao do agro em termos de valorização salarial. A força do setor rural acaba funcionando como um efeito cascata, estimulando cadeias produtivas inteiras, desde transporte e logística até indústria de insumos, máquinas e serviços especializados.

Em regiões fortemente ligadas ao agronegócio, esse impacto é ainda mais evidente. Municípios com base agrícola sólida registram aumento no consumo, expansão do mercado imobiliário e maior arrecadação, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento regional.

Mais empregos formais e menos subutilização

Outro ponto relevante destacado pelo IBGE diz respeito à qualidade das vagas criadas. A taxa de informalidade recuou para 37,7%, indicando um avanço na formalização do emprego no país. Já a subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais horas ou que desistiram de procurar emprego, caiu para 13,5%.

Esses dados mostram que o brasileiro não apenas está trabalhando mais, mas também em condições mais estáveis e com jornadas mais adequadas. No caso do agro, esse movimento reflete a transformação do setor, que vem incorporando práticas mais modernas de contratação, maior conformidade com a legislação trabalhista e investimentos em qualificação profissional.

A formalização no campo também contribui para ampliar o acesso dos trabalhadores a direitos como previdência, crédito e benefícios sociais, reforçando o papel do agro como agente de inclusão econômica.

Perspectivas para 2026 reforçam protagonismo do campo

Ao analisar o balanço do trimestre, fica evidente que o agronegócio ocupa uma posição estratégica para a sustentabilidade econômica do Brasil nos próximos anos. Seja na produção de alimentos, no equilíbrio da balança comercial ou na geração de renda para milhões de famílias, o setor rural se consolida como peça-chave do crescimento projetado para 2026.

Com demanda global aquecida, avanço tecnológico contínuo e maior integração com o mercado financeiro e imobiliário, o agro tende a seguir como um dos principais motores da economia nacional. Os dados do IBGE apenas confirmam, com números concretos, uma realidade que já se impõe: quando o campo vai bem, o Brasil inteiro sente os efeitos positivos.

Em um momento em que emprego e renda se tornam temas centrais no debate econômico, o desempenho do agronegócio mostra que investir no setor é apostar em desenvolvimento, estabilidade e crescimento de longo prazo.